Cantada 279

279 – “Olá, queria contar meu caso… Já passei por essa humilhação e grosseria várias vezes na rua, mas a pior delas aconteceu quando eu tinha só uns 14 anos. Eu tinha ido caminhar com uma amiga e no caminho de ida, levamos várias buzinadas, ouvimos várias escrotices e quando estávamos voltando, quase chegando em casa, passou um caminhão de lixo.  Um lixeiro começou a gritar coisas muito nojentas e nós duas começamos a andar mais rápido, sem olhar para trás. Foi então que ele começou a nos xingar, falando que nós éramos metidas, que éramos idiotas, começou a xingar sem parar… E nós continuamos sem olhar para trás e andando cada vez mais rápido. E aí ele desceu do caminhão e começou a andar atrás da gente, gritando que se a gente não olhasse, íamos “nos ver com ele”. Ficamos morrendo de medo, mas ainda sem olhar, e ele começou a correr atrás da gente. Nos perseguiu por vários quarteirões, quando nos esgueiramos para dentro de uma casa com a garagem aberta e ouvimos ele voltar, dando altas gargalhadas. Foi horrível, até hoje lembro do desespero que senti. Cantada é uma violência e ninguém reconhece. Acham que estamos exagerando, que é engraçado, um elogio. Mas não passa de uma violência terrível, mais uma forma de nos humilhar e colocar como meros objetos sexuais, como se vivêssemos para servir os homens…  Espero que páginas como essa, campanhas e simples conversar sirvam para conscientizar tod@s, para mostrar que as cantadas devem ser abolidas e que a mulher pode e deve se defender delas!”