Cantada 285

285 – “Eu tenho 24 anos e sou recém-formada, nem peguei meu diploma ainda, entretanto, por conta de já trabalhar de forma voluntária para uma organização antes, recebi a grande oportunidade de ser chefe de um departamento. Lá dentro aos poucos fui conhecendo e fazendo amizade com os demais funcionários e colaboradores. Então conheci um senhorzão de cerca de uns 60 anos, que a primeira vista pareceu não se importar muito comigo, mas uma coisa eu percebi, ele adora um amigo que trabalha no meu departamento, sempre que o vê chama-o de ‘filhinho lindo do papai’ aos gritos, o abraça e beija. Em fim… de uns dias pra cá precisei ter mais contato com esse senhor para resolver questões ligadas ao meu departamento. Eu sei que precisarei trocar informações com essas pessoas todos os dias, então acho super necessário manter uma relação de amizade com todos, por esse motivo sou sempre muito solicita e simpática com todos, sem exceção. Aí esse senhor começou a me cumprimentar com ‘oi gatinha’ toda vez que me via nos corredores. Depois começou a me abraçar e dizer coisas como ‘que menina linda’. Aí passou a todas as vezes que me vê, tem que me encostar a mão, pegar no meu ombro, acariciar meu cabelo. Apesar de eu ficar meio constrangida, afinal não temos essa intimidade, pensei que podia ser o jeito dele, já que ele trata o meu amigo assim também de toda forma, nunca dei muita confiança, não o tratei mal, mas também não demonstrei estar a vontade com essas atitudes dele. Aí ontem aconteceu a gota d’água: Ele me encontrou no saguão e já veio me abraçar, aí me disse: “Dá um abraço aqui, que se eu não posso beijar esses lábios, pelo menos abraço esse corpo maravilhoso”. Fiquei tão constrangida que não soube nem como reagir e antes que eu pensasse em dizer qualquer coisa, uma outra pessoa surgiu no saguão falando com ele, então ele foi de encontro a essa pessoa. Eu fico realmente muito mal em perceber o quanto eu não sei me defender, o quanto sou insegura quando o assunto é um ‘desconhecido’, porque se fosse alguém que conheço, certamente eu diria algo, mas nessa situação eu não soube o que dizer, como reagir, e a pior sensação é essa sabe, de auto-condenação. De toda forma decidi: Se você tenta ser educada com as pessoas por um bom ambiente de trabalho, mas elas preferem ir até onde vc não deu permissão, então ao menos com esse senhor serei seca. A partir de agora só respondo bom dia quando ele me der bom dia, e vai ser de cara séria, quando vir me abraçar vou dar a mão pra ele apertar. Pelo caráter dele, certamente que passará a me tratar mal. Como um homem rico e influente dentro da corporação, pode ser até que tire o meu cargo, mas não me importo. E com os demais caras também ficarei atenta a partir de agora. Acho estranho que tem outras meninas lá, todas muito solicitas e simpáticas, várias estagiárias inclusive, será que ele as assedia assim também, ou será que sou eu a representação da insegurança para esses caras virem mexer comigo?”