Cantada 287

287 – “Um dia eu estava esperando para atravessar a faixa de pedestres, até que finalmente um cara parou pra eu passar. Atravessei, olhei para ele e agradeci, nada demais. O cara cordialmente sorriu para mim e disse ‘por nada’. Ok, até aí tudo bem. Mas uns passos depois o mesmo cara me chamou e disse “Moça, você é muito linda hein” de um jeito beem… asqueroso. A única coisa que eu fiz foi mostrar o dedo pra ele na mesma hora. Eu vi que ele assustou, com certeza pensou que eu, a mocinha educada que agradeceu a ele segundos antes, não faria nada. Então ele acelerou o carro irritado. Então continuei andado umas quadras e de repente um carro para do meu lado e era o mesmo homem! Ele disse “Mesmo você tendo me mostrado o dedo do meio, continuo te achando linda” e dessa vez acelerou o carro antes que eu dissesse alguma coisa. Fiquei com muita raiva! Fiquei pensando: A gente não pode nem ser educada, que um cara já fica se sentindo no total direito falar o que quer. E esse ainda se deu ao trabalho de dar a volta no quarteirão para me importunar ainda mais por que não aceitou que eu rejeitasse o ‘elogio’ dele e teve a covardia de sair correndo antes que eu revidasse. É como se a gente tivesse a obrigação de aceitar cada desaforo que escuta na rua, achando bom ainda.”