Cantada 290

290 – “Oi, eu tenho meu caso para contar. Aconteceu se não me engano em 2005, eu tinha 12 anos. Meus pais costumavam me buscar na escola, mas como poderia ocorrer de algum dia eles se atrasarem ou dar algum imprevisto, eles me ensinaram como pegar o ônibus e chegar em casa, já que era uma linha só e ele parava quase na frente de onde morávamos. Pois bem, dia tal, eu saí da escola e meu pai me ligou avisando que não poderia me buscar, e me disse para ir de ônibus. Me explicou novamente para pedir para o motorista parar em tal ponto, e me lembrou o nome da linha. Seria a primeira vez que eu andaria de ônibus sozinha, achei aquilo o máximo. Entrei no ônibus, de uniforme com a minha mochila nas costas e seitei lá no final. O ônibus estava não muito cheio, com umas 10 pessoas espalhadas, não me lembro muito bem. Passados dois pontos, um homem que aparentava ter uns 40 anos acredito, barbado e de cabelos grisalhos entrou e sentou-se ao meu lado. Eu lembro bem dele pelo o que aconteceria em seguida. O homem disse: ”Mas que doçura você hein… Sozinha aqui. Vai descer aonde? Posso ir com você?”. Eu fiquei com medo e não respondi. Ele riu e disse que gostava de meninas tímidas e que eu era muito linda. Mais uma vez não respondi por medo. Até que ele me segurou com força e me beijou. Eu empurrei, gritei, esperneei, e NINGUÉM ME AJUDOU. Me olhavam com aquela cara de ”que maluca, doida varrida”, e uma senhora disse que era bem feito porque eu não deveria andar sozinha nessa idade. Comecei a chorar e o homem ria que se acabava, bem psicopata mesmo. Foi horrível. Ninguém mandou ele descer, ninguém fez nada. Tremi até chegar no meu ponto, fiquei com medo dele vir atrás de mim e fui correndo, como nunca corri antes até em casa. Não contei para os meus pais por vergonha. Eu não sei porque, sempre pude contar tudo pra eles, mas esse dia foi o mais vergonhoso e horrível pra mim, tinha medo deles não me deixarem andar de ônibus de novo. Hoje eles sabem do acontecido, e ficaram revoltados por eu não ter contado na época. E até hoje não entendo como pessoas viram uma criança de 12 anos ser agarrada a força por um homem nos seus 40 e sei lá quantos e não tiveram a capacidade de fazer alguma coisa.”