Cantada 293

293 – “Cantadas de Rua Conte seu caso – esse é o nome do grupo. Essa historia é um pouco longa mas devo muito a esse grupo. Desde que começou acompanho, meu relato foi o numero cem de uma cantada quando estava grávida. Então depois acompanhei um a um dos vários relatos, depoimentos, desabafos e fui tirando do baú minhas memórias e me senti a vontade de falar delas me senti confortável na verdade, de contar dos meus abusos, e achei boas palavras de conforto de incentivo e de força e coragem. Tenho 30 anos e já passei pelo “diretor” pedófilo, o “amigo” abusador e os desconhecidos preconceituosos. O grupo me fez pensar, lembrar, fortalecer e agir e mudar minhas atitudes. Então agora vou contar de algo que me aconteceu ontem, estou mais gordinha e usando mais calça legging sempre com camisa e uma regata por baixo. Ontem o tempo mudou, fez o maior calor e quando estava chegando a casa da minha mãe eu tirei a camisa e amarrei na cintura e estava andando rápido para chegar na casa da minha mãe buscar meu filho. Perto da casa da minha mãe tem uma rua de fábricas meio deserta e ao passar nessa rua um motoqueiro passou por mim e falou, “Nossa! Tem jeito de cachorrona!” Na hora nem pensei muito, pensei no grupo e em nós e gritei beeem alto, “Vai tomar no C*** ! Cachorra é a sua mãe!”  Engraçado que o cara que estava andando devagar para me cantar abaixou a cabeça e acelerou a moto. Nessa hora estávamos já perto de um mercado e o segurança riu e acenou um joia p mim.  Eu continuei resmungando e ele disse – “Isso moça corajosa!”  Cheguei na casa da minha mãe esbaforida e contando o que aconteceu e ela, claro, ficou com medo e disse, “ai filha, você não devia fazer isso, os caras daqui de moto são perigosos” (quebrada parada de taipas). Eu falei, “não mãe, pelo amor, tô vestida, sou mãe, não fiz nada para esse otário me ofender!” Ela pediu para eu esperar para sair; confesso q fiquei com receio, mas a sensação de dever cumprido e desabafo estava cumprida. Obrigada Cantadas de Rua Conte seu Caso. Mudar essa cultura é difícil, é uma briga, mas é mudar as atitudes uma de cada vez. Com certeza não tenho mais medo.”