Cantada 295

295 – “Vou contar pra vocês a coisa mais ridícula do meu dia. Acabou de acontecer.   Estava parada no ponto de ônibus quando percebi que um cara, dentro de um carro, estava me encarando. Depois de olhar pra cara dele durante uns cinco segundos, claramente irritada, e ele não desviar o olhar de mim, perguntei: “Algum problema?” Ele parou de me encarar.   Quando o semáforo abriu e o carro em que ele estava voltou a andar, ele falou qualquer coisa do tipo “não fica brava não, princesa”. Fiquei puta e mostrei o dedo do meio enquanto ele ria. E virei a cara logo em seguida. Mas percebi que o infeliz quis colocar o rosto pra fora ou me devolver o dedo do meio. Não olhei.   Sabem o que aconteceu logo em seguida? Fiquei com medo. Comecei a pensar que o cara ia dar a volta no quarteirão e voltar com uma arma branca. Ou que voltaria pra, no mínimo, me xingar. Fui engolida pelo medo de ser agredida fisicamente. E decidi fazer algo patético: andei até o ponto de ônibus seguinte, que fica em outra rua. Não sem antes ouvir uma buzina e ser encarada por outro motorista, que achava que estava me elogiando ao observar a minha bunda e fazer cara de aprovação.   Sim, eu fui estuprada hoje. Duas vezes. E vocês?”