Cantada 305

305 – “Sou do Rio de Janeiro e quando tinha 12 anos fui a Salvador visitar alguns parentes e aproveitar pra conhecer a terra natal de meus saudosos avós que eu amo tanto. Essa viagem foi feita em janeiro no verão e por conta disso levei muitas roupas frescas e leves pra aquentar o calor. Minha mãe queria e me forçou a usar blusinhas curtas/apertadas com shorts curtos por conta da alta temperatura,pois ela adora que eu vista roupas assim. Não queria porque sentia vergonha e medo de chamar a atenção dos homens. Pois apesar da idade,já tinha algumas curvas de mulher adulta e bunda grande. Porém usei como ela queria. Fui a muitas festas populares e de carnaval obrigada,sempre ouvindo alguma gracinha dos homens. Isso começou a me incomodar…Me sentia insegura e achava que a culpa era da roupa que usava. Até que num dia, eu estava com minha mãe e mais 2 parentes andando de dia numa rua qualquer meio deserta,saindo de uma festa carnavalesca. Na direção oposta vinha um homem bêbado que cambaleava de um lado pro outro,mas nem liguei porque estava meio longe dele. Porém assim que a distância entre nós reduziu,ele veio pra cima de mim e me agarrou! Fiquei paralisada e em choque sem saber o que fazer. Minha tia com muita força deu um bolsada no sujeito que por sua vez saiu berrando: GOSTOSA,GOSTOSA! Me senti constrangida,envergonhada e…suja! Fiquei com raiva da minha mãe por me forçar a usar roupas “provocativas” e passei o resto da viagem de calça jeans. Levei esporro da minha tia,pois segundo ela,eu deveria ter gritado e batido no cara. Mas eu só tinha 12 anos! Era só uma criança e nada parecido tinha me ocorrido,não sabia como reagir e o sujeito era muito maior do que eu. Um bom tempo depois é que fui entender que minha mãe não teve culpa ao me obrigar a usar aquele tipo de roupa,pois eu tenho o direito de andar por aí com qualquer roupa sem ser abusada ou assediada. E aprendi que mesmo que seja vítima,sempre tem alguém que vai por a culpa em você por ter sofrido tal coisa por não ter reagido da forma como os outros acham que deveria agir. Só que nem todo mundo age da mesmo maneira,não é mesmo? Voltei pra casa com muito nojo e raiva de Salvador,justo a terra natal de meus avós! Neste ano,12 anos depois do ocorrido,voltarei a por meus pés lá. Espero não me sentir mal.”