Cantada 308

308 – Vou compartilhar a última que aconteceu comigo: estava fotografando um casamento e, em determinado momento, fiquei um bom tempo na pista de dança, registrando a galera. Então notei que tinham dois caras que não paravam de me olhar. E não eram olhadelas, eles ficavam parados, me olhando, até segurando o queixo, sabe, como se me analisassem. Era de propósito, para que eu percebesse e desse atenção. Mudava de lugar e eles continuavam encarando. Passei por eles bufando e saí dali de uma vez por todas. Fui desabafar com uma das cerimonialistas e ela disse que me entendia perfeitamente, mas que não havia nada que eu pudesse fazer, afinal, estava trabalhando. Não aceitei esse conselho, mas como eles não tinham me abordado nem fisicamente e nem com a fala, achei que não fazia sentido voltar lá e falar: “Vocês podem parar de me olhar, por favor?”. Enfim, o casamento continuou e, no final da noite, enquanto eu me encontrava no meio de uma rodona de dança onde estavam os noivos, eles começaram – pasmem! – a me empurrar! Mas assim, empurrar mesmo. Na primeira empurrada eu não fiz nada. Na segunda eu só olhei pra trás. Na terceira eu não me contive. Olhei bem na cara dos dois e falei: “VOCÊS PODEM ME RESPEITAR, POR FAVOR? EU ESTOU TRABALHANDO!”. Eles fizeram uma cara de que não era com eles, mas pararam. Fiquei com muita raiva! Eram desses moleques que se acham sensacionais, sabe? A minha vontade MESMO era virar e falar: “Primeiro, eu estou aqui a trabalho. Segundo, eu não gosto de homem. E, terceiro, mesmo se eu gostasse, a abordagem de vocês me daria nojo e não vontade de ficar com qualquer um dos dois. Mais respeito, seus moleques!”. Eu só não falei isso tudo por respeito aos noivos que eram muito legais. Mas deixar de me impor eu não vou!”  Andrea de Lima