Cantada 312

312 – “Companheiras (os) do “Cantada de rua”, hoje venho com muita raiva relatar o meu caso, que além de um galanteio inconveniente, envolveu um certo abuso de poder e autoridade de um policial militar. Aqui no meu bairro há uma padaria relativamente grande e famosa na região que frequentemente era assaltada, muitas vezes pelas mesmas pessoas. Há cerca de um ano começou a haver patrulhamento do bairro feito por dois policiais militares, que até então mantinham uma respeitosa distância e eu me sentia mais segura quando ia a tal padaria. Mas hoje, quando eu desci do meu carro um deles me abordou dizendo que precisava de alguns dados meus PARA UMA AVERIGUAÇÃO DE SERVIÇOS PRESTADOS REALIZADA PELO SEU SUPERIOR. O policial disse que era um procedimento da delegacia e que ele não queria abordar pessoas esquisitas que poderiam falar coisas ruins a respeito do serviço dele (achei esquisito mas não questionei por acreditar no que ele tava me falando) enfim, eu acreditei na palavra do moço e passei as informações. Ele me pediu os seguintes dados: nome completo, endereço, telefone, placa do carro, RG. Depois que eu passei os dados eu contei que havia tido uma experiência muito ruim com a polícia militar há alguns anos e que era bom ter policiais tão educados e gentis cuidando lá do bairro. Então, o moço me perguntou se o padeiro da padaria (meu irmão mais novo) era meu namorado, pois eu sempre mando beijos pra ele quando vou lá e eu expliquei que não. Aí veio a máxima: “E seu irmão não quer um policial pra cunhado não?” Eu sorri sem graça e desconversei dizendo que eu tenho namorado. O moço virou e falou, “é… você é muito bonita e simpática mesmo.”  Quando eu entrei no carro fui entendendo que ele não tinha anotado em nenhum lugar “oficial”, mas em um bloco de papel comum. Disse que provavelmente o tal sargento nem iria me ligar, mas que ele tinha q fazer esse cadastro e que ele não estava totalmente certo dos dados que me pediu. Me subiu uma raiva!!! Pode até ser que esse cadastro realmente exista, mas a sensação que eu tive é que ele abusou da autoridade pra conseguir os dados. Que vontade de xingar bem alto, mas não pode né? Isso é desacato a autoridade… E eu? Como fico? Me incomodou, e muito esse fato! Cheguei em casa meu pai disse: “É claro que ele só queria te jogar um ‘171’, minha filha.” Até tú papai?!  Peço que mantenham meu nome em sigilo. Só queria desabafar e perguntar se isso já ocorreu com alguma de vocês também. Obrigada!”