Cantada 322

322 –  “Hoje foi um dia que eu vi que todos aqueles anos de escrotices ouvidas na rua foram pagos: Estava caminhando, voltando da farmácia pra comprar ABSORVENTE com uma camiseta gigante e um short que deixava ver minhas pernas peludas, um chinelão mostrando as unhas não-feitas (vejam só a ironia), e um otário, bem quando passei no ponto de ônibus, falou: “meu que gostosa, que gatinha, ein”. Ele sozinho ali. Quando eu me virei pra olhar pra ele, ele se assustou e foi pra trás. Jamais imaginou que ia rolar aquilo. Daí eu falei: “Porque tu fala uma merda dessas pra uma guria na rua? Tu acha mesmo que uma garota vai gostar de ouvir uma bosta dessas?” E ele só ficou repetindo: “Não, moça, desculpa, moça… Foi mal moça.” E ia pra trás olhando para os lados, amedrontado, vendo se mais alguém compartilhou a humilhação dele comigo. Éee, é fácil falar merda achando que a garota vai simplesmente ouvir e ir embora. Quando ela vem falar contigo, você nem pensa “ela vai me dar moral”, porque até tu sabe o quanto é ridículo falar uma bosta dessas. Você só se encolhe e espere esse momento passar. (: Alma lavada.”  Lígia M. B. Heck