Cantada 357

357 – “Tenho 18 anos e no dia 16 de janeiro (tenho o dia certo pois postei no facebook minha indignação) mais ou menos às 16h eu estava voltando do mercado para casa. Pus a chave na fechadura do portão de casa e ia abrindo, quando um homem de mais ou menos 30 anos me agarrou pelo pescoço e me puxou para fora do portão. O portão já estava aberto, se ele quisesse roubar minha casa, não teria maiores complicações. Aparentemente ele nem viu minha bolsa pois nem tentou pegá-la. Ele estava tentando me arrastar para a rua enquanto me agarrava. Não sei se foram meus escassos gritos sufocados pela mão dele ou a joelhada que consegui acertar nele que o fez me largar e sair correndo.  Entrei em casa chorando. Meu irmão de 13 anos desceu correndo pra ver o que tinha acontecido e me olhou assustado – ele nunca tinha me visto chorar daquele jeito – e nem conseguiu falar nada. Normalmente ele nem me cumprimenta, mas naquele dia ele me deu um copo de suco sem dizer nada e ligou para nossa mãe.  Fui tomar banho, eu sentia tanto nojo. Eu me esfreguei tão forte com a bucha que até esfolei minha pele. Qualquer ruído, qualquer voz desconhecida, qualquer homem que passasse por mim na rua já me fazia tremer de medo. Cheguei a um ponto em que eu ouvia pessoas dentro de casa quando não havia ninguém. Num dia desses minha mãe saiu para trabalhar e eu ouvi alguém na sala. Entrei no vão entre a cama e a parede, mordi o cobertor e comecei a chorar de tanto medo. Fiquei assim até ela chegar em casa, quase 9 horas depois. Ainda tenho medo de sair de casa sozinha, fico pensando “ele sabe onde eu moro” “eu o machuquei, ele vai querer se vingar”. “