Cantada 361

361 – “Oi meninas, geralmente eu sempre venho aqui para compartilhar um caso de assédio mas hoje eu resolvi apenas desabafar. Me desculpem se o texto ficar muito grande… É que há um tempo tenho enfrentado uma situação muito difícil com os meus pais em relação a um assédio extremamente humilhante que passei uma vez, que inclusive relatei aqui (Bom, para quem não leu ou não se lembra, resumindo: Eu estava indo para a academia e ao lado dela havia um oficina com uns 10 caras na porta dos quais não consegui manter muita distância. Quando eu mandei calar a boca um dos que mexeu comigo, todos os outros em alto e bom som começaram a me xingar dos mais diversos nomes, a me ofender, a falar coisas imundas e repugnantes sobre mim e partes do meu corpo. Isso na frente de clientes, enquanto todos gargalhavam. E o fato de eu ter asma me fez passar muito mal depois de tão abalada eu fiquei). O fato é que depois disso eu tomei literalmente trauma de andar sozinha. Eu tremo só de pensar em sair de casa, andar a pé, pegar ônibus… No máximo vou na padaria que fica na esquina da minha casa e ainda assim chego em casa tremendo. Quando saio a pé ou estou com o meu namorado ou com algum amigo mesmo, já que se eu sair com outra menina provavelmente vão assediar a nós duas. Enfim… Não consigo, depois desse episódio, andar sozinha pelas ruas independente do horário ou pra onde estou indo. O pior de tudo é quando eu vou pra academia. É o mesmo trajeto, eu passaria em frente àquela mesma oficina e eles iriam me ofender do mesmo jeito, provavelmente até se lembrariam de mim. Por conta disso eu sempre peço para o meu pai ou para a minha mãe me levarem ou pelo menos me acompanharem. E eles, que me viram chegar em casa apavorada no dia daquele assédio, que me viram chorar muito quase uma noite toda, sabe o que fazem? Ficam com raiva de mim por pedir isso. Da minha mãe inclusive já tive que ouvir que eu tenho é que me dar valor e parar de usar roupas chamativas. O meu pai fala simplesmente pra eu mudar o trajeto, disse que só passei por isso porque eu respondi, que eu tinha que fingir que não era comigo e continuar andando… Ou falam apenas pra eu ir com roupa normal até a academia e depois mudar de roupa lá (Claro que uma roupa de musculação pode chamar atenção por ser mais justa, e por isso mesmo eu até uso camiseta mais largas e tampadas, mas todas nós sabemos que roupa não é a causa desses assédios). Eu fico magoada toda vez que ouço uma coisa assim dos meus próprios pais. Os primeiros que deveriam ficar do meu lado ou compreender, são os primeiros a fazer eu me sentir culpada. Uma vez eu briguei tão feio com a minha mãe por causa disso (ela implicou com um vestido que eu estava usando, que era da altura do joelho e sem decotes, e brigou comigo na frente do meu namorado e ainda disse “depois você acha ruim que os caras mexem com você na rua”) que eu surtei de vez, saí de casa e fiquei quase uma noite toda fora. Fiquei dias sem falar com ela. E muitas vezes ela até faz piadinhas a respeito desse assédio que enfrentei. E tem semanas, até meses que eu to me segurando para desabafar porque eu achei que essa tristeza que eu sinto poderia ir diminuindo com o tempo, mas hoje eu me senti tão magoada e desamparada que eu tive que vir aqui compartilhar esse sentimento. E o pior de tudo que me sinto num beco sem saída: não tenho apoio e nem boa vontade dos meus pais para me ajudarem, mas continuo com esse medo indescritível de sair na rua. Por isso, muitas vezes, deixo de fazer algo que eu adorava fazer como sair pra dar uma volta, caminhar, e fico enfiada em casa me sentindo uma covarde. A sensação que eu tenho é que se eu for assediada de forma tão expositiva de novo, eu não vou aguentar, vou explodir de raiva e talvez por isso até me meteria em alguma encrenca. Eu tô tentando superar isso, mas sem a compreensão dentro da minha própria casa e tendo que ouvir coisas tão injustas, fica difícil… Meus pais são dois machistas, dois conservadores que sempre, sempre vão me culpar pelo que aconteceu. O meu único amparo é o meu namorado que me entende e não me culpa por nada, muito pelo contrário, sempre acolhe nessas situações. Mas não é sempre que ele está perto, né? Na verdade, até odeio o fato de me sentir dependente de um homem para poder me sentir segura, quando o certo seria eu simplesmente ter a liberdade de andar por aí sem ser desrespeitada.  Bom, queria saber se alguma de vocês passa por alguma situação semelhante e o que vocês fazem para lidar com isso… Estou aberta a conselhos. De qualquer forma, quero agradecer pela existência dessa página, porque apesar de enfrentar esse tipo de situação, aqui sempre encontro forças e consolo. Obrigada!   Nathália.