Cantada 368

368 – “Eu li o último caso publicado e me deu coragem de contar mais uma situação, que também estava relacionada com fotografias. Eu ainda não sabia se estava pronta pra falar sobre isso. Cada caso é um choque, alguns demoram mais pra passar do que outros.  Mas enfim, eu estava em um ônibus público, em um dos famosos biarticulados de Curitiba. Estava de calça jeans e regata, cabelo solto, pouca maquiagem. Dois homens entraram, sentaram em um banco próximo e eu vi que um deles, o que estava sentado no corredor, estava olhando de mais. Fingi que não vi, olhei a paisagem e segui viagem. Imaginei que os dois fossem turistas porque estavam tirando várias fotos com o celular. Em determinado momento o barulho da máquina fotográfica começou a incomodar e eu fiquei curiosa pra saber o que era tão interesse dentro de um ônibus pra que eles tirassem tantas fotos. Quando olhei pra eles de novo percebi que a câmera do celular estava diretamente apontada pra mim. Aproveitei que eles iam tirar a foto e mostrei o dedo do meio pra eles perceberem que eu já tinha sacado a brincadeira e não estava gostando. Eles viram a foto, deram risada, mas continuaram me fotografando. Até que eu perdi completamente a paciência. Falei bem alto pra todo mundo ouvir: “Eu não te dei permissão pra tirar foto minha. Você tem noção de que está me desrespeitando? Não tem mais o que fazer?” Ele fingiu que não era com ele e eu repeti: “Tá esperando o que pra apagar?” O cara do corredor simplesmente olhou pra mim com uma cara de deboche e apontou pro bíceps malhado dele, numa clara menção de “Se você não calar a boca eu vou aí dar um jeito nisso.”  Nesse momento, o ônibus todo já tinha escutado, metade dos passageiros já tinha visto que eles estavam mesmo tirando fotos de mim, mas ninguém fez nada. Eu fui assediada, desrespeitada, ameaçada de violência física por dois homens e NINGUÉM se preocupou em me ajudar.  Não foi a primeira vez que eu reagi, não vai ser a última. Mas se tem uma coisa que sempre acontece quando sou assediada em público é que as pessoas fingem que o problema não é com elas. Então fica aqui meu apelo a todos, homens e mulheres. Não fiquem quietos em situações como essas, em que claramente o apoio de algumas pessoas resolveria a situação.   QUEM SE OMITE, SE IGUALA!  PS: pode divulgar meu nome, sem problemas. espero que com o tempo eu crie coragem pra contar mais situações que aconteceram comigo e ajudar outras pessoas que passam pelas mesmas situações. E parabéns pela página, tem me ajudado muito a superar alguns traumas!”  Téfi Paes