Cantada 370

370 – “Vou relatar um caso que aconteceu comigo e que eu nunca consegui tirar da minha cabeça, tamanha a violência do ato! Não foi uma cantada, foi uma agressão, um pesadelo! nunca me senti tão violentada, a não ser pelas agressões que sofri de um ex namorado. Eu estava andando na rua quando fui abordada por, aparentemente, um morador de rua que me pediu uma informação: – moça, onde é a estação de trem? de boa vontade expliquei onde era a estação. – e onde é a rodoviária? Também comecei a explicar onde era a rodoviária quando percebi que o moço tremia. Pensei que ele deveria ter parkinson, mas quando observei, ele estava se masturbando. Minha vontade foi destruir o cara, chutar o saco dele, berrar, esgoelar, esbofetear a cara dele. Humilhar ele de alguma forma que chegasse aos pés da humilhação que eu estava sentindo. Não consegui fazer nada, apenas virei as costas e sai correndo. O cara ainda gritou – Peraí, deixa eu dar uma gozadinha. Não tenho palavras pra descrever a sensação que eu senti. Eu chorei, não consegui fazer nada o resto do dia. A violência está aí. Os céticos que se fodam. Na visão de homens machistas, somos meros objetos.” e eu evito ao maximo pessoas desse tipo.
Muito pertinente. Mostra que a passividade não resolve nada e só ajuda a agravar o problema. ************************************* “Acho este post de extrema importância para se postar. É o caso de uma artista performática que mostrou a realidade do ser humano: ela não se moveria durante seis horas, não importa o que fizessem com ela. Ela colocou á disposição em uma mesa do seu lado 72 objetos que poderiam ser usados para agradar ou destruir, incluindo desde flores e um poá até uma faca e uma arma carregada. O que aconteceu? Inicialmente as pessoas tentaram agradá-la, mas depois ela virou uma vítima constante de agressões, humilhações (cortaram a roupa dela, enfiaram espinhos na barriga dela, apontaram a arma carregada pra ela e ameaçaram disparar) apenas por “curiosidade”. O que isso tem a ver com Cantada de Rua? Muitas meninas aqui se sentem agredidas mas não conseguem se impor. E é sobre isso esta magnífica peça de arte, sobre a necessidade de se impor, de se proteger, pois isto é o que nos acontece. Aprendemos a ser passivas e sofremos violência em dobro por não conseguirmos nos proteger (eu disse em dobro, não justifico, de forma alguma, violência alheia). E a melhor parte: Quando passaram as seis horas e ela levantou, todas as pessoas que agrediram ela saíram correndo com medo da retaliação.” Olha só!