Cantada 392

392 – “Eu sempre, sempre bato de frente com esses porcos que acham que serão mais homens constrangendo mulheres na rua com obscenidades, mas o caso que eu vou contar aqui não é bem uma cantada. Bom, se era, foi uma das piores. Em um dia de muito sol e calor eu estava indo à manicure que fica na rua da minha casa, que é uma avenida que sempre tem movimento. Eu estava de blusa regata e shorts, moro em uma cidade litorânea, então não é incomum esse tipo de vestimenta. Acontece que eu sou bem branca e estava andando embaixo do sol, meio que ‘ofuscando’ todo mundo com meu bronzeado finlandês. Até que eu ouço o barulho de duas bicicletas se aproximando, em uma estava um sujeito de cor parda, e na outra um sujeito de cor branca. Eles chegaram bem perto de mim e eu já preparada pra levantar o dedo do meio ao menor sinal de cantada, quando o homem pardo vira pra mim e fala ” – E aí, sua branquela?” Eu fiquei com tanta raiva por essa mistura de machismo com racismo que a minha reação foi olhar pra ele e dizer “- Vai ser fuder!”. Ele me olhou espantado, como quem não esperava que eu pudesse retrucar e disse “- O que você falou?”, e eu respondi ” – Eu mandei você ir tomar no seu cu!” Ele ficou possesso! Foi meio que descendo da bicicleta dizendo ‘- Tu não pode falar assim comigo não, mina!”, quando o sujeito branco que tava atrás e que achou graça quando o amigo mexeu comigo, também ficou chocado com a minha reação e começou a empurrar o amigo dizendo “- Vamos, vamos, deixa pra lá” E eles foram. Hoje eu paro pra pensar que foi perigoso minha reação, pois os dois não tinham muita cara de ‘gente boa”. Se um dos caras não parasse o outro, eu teria apanhado ( mas teria batido, não tenham duvidas), ou os dois caras poderiam ter ido pra cima de mim, sei lá. Mas o caso é: responder agressivamente a cantadas de rua sempre os deixam desconcertados porque o máximo que esses sujeitos esperam da gente é submissão. Nunca abaixem a cabeça meninas.”