Cantada 411

411 – “Não é uma cantada mas um caso de agressão verbal que presenciei. Estava viajando de carro com meu pai quando passamos por uma mulher numa moto. Ela estava acima do peso e meu pai fez o infeliz comentário de que ela deveria montar num trator e não numa motocicleta. Me senti péssima ao perceber o desrespeito, o preconceito não só por ela ser gorda, mas por ser mulher, já que vimos vários homens obesos em motos durante a viagem e ele não fez nenhum comentário. O mesmo desrespeito se repetindo durante toda a viagem, quando uma mulher fazia uma ‘barbeiragem’, ou quando um cara bateu na traseira do carro de uma mulher e ela parou pra ver o estrago, meu pai começou a reclamar que ela não deveria parar o carro no meio da rua, que foi só um arranhão, que a mulher estava ‘histérica’ por nada (isso quando eu mesma já presenciei essa mesma histeria nele em acidentes que ele se envolveu). O caso é: não consigo conversar com ele sobre isso. Ele é machista, homofóbico, gordofóbico, em muitos casos racista, enfim, intolerante. Quando ouço as ‘pérolas’ que ele solta e percebo como o preconceito está enraizado nele, não consigo imaginar uma abordagem tranquila para falar sobre isso. Não quero me desentender com meu pai, quero convence-lo de que suas opiniões estão equivocadas, quero um diálogo, não uma briga. Então, como começar?”