Cantada 423

423 – “Lendo os relatos aqui eu me lembrei de uma história também. Há alguns anos minha mãe colocava o carro sempre no mesmo estacionamento, e lá trabalha um homem que sempre ficava de conversa com ela, ela não se sentia muito confortável e fazia questão de deixar claro que era casada, mas o homem nunca havia feito nada de mal para nós então mantínhamos uma relação de respeito com ele. Depois ela vendeu o carro, mas continuávamos passando ali na frente todos os dias pois era perto de casa, e o tal homem sempre estava no portão. Se não era ele, era o chefe dele, e minha mãe sempre desejava bom dia, mas eu nunca falava nada. Não queria ser vista como mal educada, mas também não queria que parecesse que estava “dando bola” para eles. Eis que ano passado duas amigas, de 16 e 17 anos e com uniforme de escola, passavam pela mesma rua com certa frequência, e um dia o homem chamou elas. Elas ficaram até preocupadas, pensando que ele precisava de alguma coisa, afinal era um senhor com idade para ser avô delas. Ele falou “eu só queria dizer que vocês são muito mais gostosas de perto”. Elas continuaram a andar e me contaram essa história no outro dia, que eu contei para a minha mãe. Ela reclamou com o dono do estacionamento, que disse que proibiria o homem de ficar ali fora. Se durou uma semana, foi muito. Logo ele estava lá de novo. Eu evitava passar pela rua sozinha para não ter que encontrar com aquele nojento, pois ele sempre me encarava. Creio que só não falava nada pra mim porque conhecia minha mãe e meu irmão. Hoje em dia não moro mais lá, mas tenho certeza de que a mesma coisa continua acontecendo com muitas meninas por aí… Obrigada pelo espaço e beijos”