Cantada 426

426 –    “O post sobre a página asquerosa dedicada a encoxadas me lembrou de uma coisa que aconteceu comigo. Quero dizer, quando pego ônibus lotado fatalmente alguém roça “sem querer” em mim, mas esse caso me assustou um pouco. Na verdade eu até sinto muita vergonha e nunca contei pra ninguém.  Eu estava no ônibus – quase vazio por sinal, estava indo pro terminal. Plena luz do dia, voltando da faculdade, enfim. Quando um homem (devia ter mais de 40 anos, na verdade) ficou parado em pé ao lado do banco em que eu estava. Até aí pensei que ele estivesse para descer do ônibus (meu banco ficava perto da porta), mas aí ele começou a SE ESFREGAR no meu braço. O ônibus parou em um ponto, voltou a andar, e o homem não saía dali. E o ônibus tava quase VAZIO.  Eu fui me encolhendo no banco, sei lá, acho que eu me recusava a acreditar que aquele homem estava fazendo aquilo na maior cara de pau… eu ia me afastando e ele insistia…  Quando eu finalmente criei coragem de encará-lo, ele não sorriu, não disse nada; simplesmente desceu do ônibus como se não fosse nada, como se tivesse acabado o que tinha ido fazer. E eu senti uma raiva e uma vergonha ABSURDAS de mim.   Vejo relatos de gente rodando a baiana, reclamando mesmo, e eu na época fui totalmente incapaz disso. Fiquei calada, me encolhendo, e só olhei pra ele segundos (que pra mim foram uma eternidade) depois de a ação começar. Tive raiva da minha passividade, vergonha por não o ter empurrado… vez ou outra (nos primeiros dias) chegava a me martirizar imaginando que o homem saiu pensando que eu provavelmente tinha gostado daquilo.  É a eterna passividade do “moça precisa ser educada”, “moça direita não arma barraco”, “é só ignorar”… e eu, que nunca tive uma personalidade muito assertiva (moldada por muitos “deixa pra lá” na vida…) estou tentando lutar contra essa minha faceta. A frustração por não ter respondido à altura (uma cotovelada, talvez?) me assombra quando penso nesse caso. Fico repetindo pra mim: se houver uma próxima vez… da próxima vez vai ser diferente…  Esta página está me ajudando MUITO, acreditem. Tô expurgando meus fantasmas e vendo que não é “exagero meu” ficar incomodada com as coisas que me acontecem no dia-a-dia e criando coragem pra me fazer respeitar. Aos poucos vou me libertando dessas amarras sociais, espero…”