Cantada 437

437 – “Fui numa festa ontem à noite com uma amiga. Foi bem divertido, nós dançamos bastante. Lá pelas 3h00 nós resolvemos ir embora e nos dirigimos à fila do caixa. Nisso, um cara chegou puxando papo comigo, dizendo “como que duas meninas tão lindas estão indo embora tão cedo”. Eu fui mais ou menos simpática, mais ou menos firme; não custa nada falar “pois é, tá na hora, to indo mesmo”. E ele continuou insistindo, estava visivelmente bêbado e queria fazer de tudo pra conseguir conversar comigo. Eu estava meio “presa” na fila, não tinha como me livrar do cara. Ele começou a ser cada vez mais e mais incômodo até que eu cansei de ser legal e só dei as costas e deixei ele falando sozinho. Mas ele continuou. Eu já nem entendia mais o que ele tava falando, mas era aquela lenga-lenga de “ainda está cedo, você pode conhecer pessoas novas, etc etc”. Finalmente consegui pagar minha conta e saí do pequeno tumulto que estava em volta do caixa. O cara veio atrás, ficou incomodando eu e minha amiga. Eu repeti mais uma vez que estava indo embora e que não queria falar com ele, não queria conhecer ele. Ele insistiu em me passar o contato dele. Eu disse que não queria o número dele, que eu realmente não tava nem aí. Dei as costas e comecei a andar em direção à saída do bar. E daí que o absurdo acontece: o cara PUXA MEU VESTIDO, ENFIA A MÃO NAS MINHAS COSTAS (!!!) E JOGA A PORCARIA DA MERDA DO CARTÃO COM O NÚMERO DELE PRA BAIXO DA MINHA ROUPA (!!!). Eu mal entendi o que ele fez na hora, só senti a mão dele me puxando. Quando eu consegui mexer no meu vestido e sentir que ele tinha jogado um papel ali dentro eu fiquei com tanta raiva, tanta raiva, tanta RAIVA! Não por ele estar bêbado, por ele ser chato, por ele ser insistente, por ele querer me passar seu número. Mas porque a gente vive num mundinho de bosta em que É NORMAL E ACEITÁVEL que uma pessoa PUXE A ROUPA DA OUTRA, VIOLE O ESPAÇO PRIVADO DE ALGUÉM, AGRIDA O CORPO DE OUTRA PESSOA e está tudo ok. Ele não tinha a mínima consciência de que o que ele tava fazendo era agressivo. Ninguém a minha volta deu a mínima praquela cena. Eu estava totalmente impotente enquanto ele passava a mão pelo MEU corpo. Como é que a gente aceita isso, como é que a gente é criado pra ser assim?! Só pra piorar: quando eu saí do bar, sentei com minha amiga no meio-fio lá fora e ficamos conversando sobre essas coisas (amigas femilindas ) e três caras passaram, um deles chegou bem perto, se abaixou e tentou passar a mão na minha perna, como se eu fosse uma coisa qualquer jogada na calçada. Aquilo coroou a noite! Eu bufei e encarei ele muito putamente insana. O que ele e os amigos fizeram? Deram risada da minha cara. Realmente, deve ser muito engraçado uma mulherzinha brabinha fazendo carinha feia. PS: Nessa mesma noite, três caras vieram falar comigo enquanto eu estava dançando. Em momentos diferentes, os três me disseram que eu dançava muito bem, que eu “mandava muito” e perguntaram meu nome e eu respondi. Eles foram bacanas, eles me elogiaram por um motivo que me lisonjeou (eu realmente estava feliz dançando) e não insistiram se eu não dei abertura. O problema não é a abordagem – é o contexto e os limites dela.”
“Gente, sinceramente, esses ‘assédios’ nas ruas estão demais!!! Antes de conhecer a página, acredito eu que ninguém tinha noção da enorme quantidade de casos! E é um caso mais absurdo que o outro!! Temos que fazer alguma coisa… Vamos atrás de alguma lei!! Sim!! Vamos expor isso em diversos meios de comunicação, vamos – de algum jeito – expor no intervalo da novela das 21hs!!!! A população precisa ter conhecimento desses casos, precisa entender que cantadas não são elogios, e os homens que cantam mulheres nas ruas necessitam entender e reconhecer que seu comportamento é doentio e animalesco. Eu não sou a favor de simples punições, mas sim punições aliadas a um novo sistema educacional-social. Entretanto, precisamos agir rápido, e tomar atitudes que não nos prejudiquem, que não nos tachem de ‘frescas’ e que não surta o efeito contrário… Ou esses seres pouco evoluídos aprendem, ou aplicaremos punições severas!! Vamos expandir, mulheres!! Por incrível que pareça, nossa vida está em risco…” Camila