Cantada 453

453 – “Eu consegui um emprego num navio da costa, no ano passado. Fiquei toda boba, fiz vários e vários cursos, gastei dinheiro horrores mas fui, tava louca pra viajar, juntar dinheiro, enfim. Embarquei em agosto em Veneza.  Minha função era uma das piores, eu era do buffet, trabalhava em torno de 13 horas por dia, domingo a domingo, sem folga. Mas até ai tudo bem, só que tinha um filipino garçom que ficava comigo na minha estação, um nojento que toda hora vinha com aquele bafo quente no meu ouvido e ficava fazendo “elogios”, tipo: “mama, seus olhos não sei o que, mama, o botão da sua blusa ta soltando, que lindo, mama….” Aquilo me dava ânsia de vômito, mas eu aguentava, queria ser simpatica, eu era nova ali, não podia fazer com q as pessoas não gostassem de mim. Afinal tava longe de familia, amigo, cachorro, gato…de tudo! mas ai esse nojento começou a dar “toquezinhos” no meu braço, na minha cintura… fui falar com os meus supervisores que eu não tava gostando daquilo, eles me disseram que ele era muito brincalhão, que era pra eu não levar a sério. Nossa, eu achava muita graça daquilo sim.  Comecei a namorar um oficial, e ai que tudo começou a ficar um inferno mesmo. Muuita gente dizia que eu tava com ele porque queria subir de posição, que eu era uma isso, uma aquilo. E quem dizia isso, eram as MULHERES! Ninguém mais falava comigo, e as que eram minhas “amigas” lá dentro falavam que se o filipino que falava gracinhas pra mim era porque eu gostava. Falei com o meu namorado sobre ele, e ele me mandou dar o nome do filipino pro metre, e o metre disse pra mim que eu estava inadequada pro trabalho (oi??????????, fui fazer uma reclamação sobre ABUSO e ele me diz q eu to inadequada pro trabalho??). Ele disse que eu deveria usar coque ao invés de trança, e pegar uma blusa de numero maior, claro, a brasileira fudida nunca tem razão!!  Chorei muito no dia seguinte quando tava falando com a minha mãe pela webcam, o que eu me arrependo porque ela ficou muito preocupada. Mas eu precisava, tava me sentindo abusada, acuada, por TODOS naquele navio. Era um tormento acordar e ir trabalhar, saber que aquele nojento iria ficar comigo, dá nojo só de lembrar. E que ao invés de me apoiarem, as meninas ainda falavam mal de mim, como se eu tivesse procurado aquilo tudo.  Mandei um vai se fuder pra todo mundo e pedi pra voltar pro Brasil, pra minha casa. Eu não fico triste em saber que isso tudo aconteceu comigo, fico com muita raiva, porque foram os meus sonhos que todo mundo ali destruiu. Gastei muito dinheiro pra poder trabalhar lá, tava pensando juntar dinheiro, estudar fora.. e em troca recebi muita humilhação. Estava pensando em colocar na justiça, mas vou alegar o que? Não tenho provas de que isso aconteceu. Enfim, desculpa o texto enorme, mas sua página é maravilhosa e tenho certeza que ajuda muita gente.”