Cantada 455

455 –  “Eu tinha 8 anos e tinha um senhor idoso que morava na rua da minha casa. Ele tinha um jeito de avô e era marido da costureira oficial da rua. Uma vez ele me ofereceu um pirulito e disse que estava no bolso da calça dele, mas só pegaria o pirulito caso eu passasse a mão no meio da calça dele. Em um certo momento, ele tentou me tocar, mas eu desviei e como estava de dia( sim, era dia) ele não tentou avançar em mim. Por sorte estávamos fora da casa. Minha mãe estava lá dentro com a esposa dele e eu supostamente estava fazendo um carinho para pegar o tal doce. Ele começou a fazer umas caras estranhas e de repente a minha mãe chegou. Ficou abismada com o que aconteceu e me perguntou tudo. Graças ao bom Deus, ela acreditou em mim, mas não sabíamos que esse tipo de atitude era crime, porque ele pediu pra que eu fizesse isso. Minha mãe bateu nele, gritou que era por causa desse tipo de gente que ela não se casava de novo, que nenhum homem ia abusar da filha dela e que ela iria matá-lo.  Eu fiquei muito mais retraída depois disso. Foi uma situação de defesa, já que éramos e ainda somos somente duas mulheres em casa. Claro que existiram muitas situações onde o machismo imperou, mas essa foi a mais chocante. Minha mãe sempre me deu instruções de nunca acreditar em idosos e nem ficar sozinha perto de homens. Ela me defendeu como pôde e pelo que eu pude ver, é raro uma mãe que defende a filha em uma situação como esta.   Agradeço e muito a minha mãe! Me defendeu e sempre me disse que não podíamos baixar a cabeça pra homem algum. Sempre tive medo dos homens, de qualquer relacionamento em potencial, só que eu hoje sei a pessoa que eu sou e ninguém tem o direito de me tocar sem que eu permita.  Obrigada pela oportunidade do desabafo.”