Cantada 459

459 – “O que vou contar agora não foi nem assédio nem cantada, mas um fato muito curioso. Aconteceu ontem:  Eu saí para passear com a minha cachorrinha e minha mãe foi junto. Eu estava cansada e parei um pouco de andar, enquanto minha mãe foi se distanciando, até chegar na esquina do quarteirão, eu fiquei parada quase que na outra esquina.  Pois bem, um homem de uns 50 anos se aproximou de mim. Eu já estranhei de primeira, o tanto de abusos que eu já sofri me deixaram muito desconfiada e com a guarda láá em cima. Ele disse “Bom dia, você pode me informar como eu faço para chegar ao Shopping Sta. Ursula?” e eu disse que não sabia muito bem, apesar de ser ali por perto. Aí ele disse “Se você estiver por aqui no final de semana que vem, nós (?) vamos tocar lá no Taiwan”. Taiwan é um hotel aqui na minha cidade onde acontecem vários shows. Eu achei levemente inconveniente mas levei numa boa, e até perguntei “Ah, é? E o que vocês tocam?” e ele disse “Roupa Nova. Nós somos do Rio, apareça por lá, vai ser bem bacana. Eu só preciso ir ao Shopping, mas não sei onde é…”, aí eu disse assim “Tá vendo aquela mulher alí na frente? Ela é a minha mãe, pergunta pra ela que ela vai saber te orientar certinho.”, nisso, eu senti – de verdade – que ele deu uma balançada. Ele estava falando tão empolgado comigo sobre o show, bem simpático mesmo, rindo, e foi eu falar da minha mãe que ele gaguejou “Ah, ah, tá” e logo interrompeu o papo comigo. Eu fiquei observando, ele foi mesmo perguntar pra minha mãe. Ela explicou certinho, ele agradeceu. Não sei se foi um pretexto para falar comigo e depois ele acabou perguntando pra minha mãe só para disfarçar. O curioso é que ele não convidou a minha mãe para o show! E, convenhamos, eu adoro Roupa Nova, mas acredito que seja uma exceção, porque tenho apenas 19 anos e não conheço ninguém da minha idade que também gosta. Além disso, eu aparento ser bem mais nova, 15/16 anos. Se formos pensar, teria muito mais chance da minha mãe gostar do conjunto do que eu, certo? Claro, música é para todos – justamente, mas ele nem tocou no assunto com ela, perguntou onde era o Shopping, agradeceu e pronto. Enfim, fica aqui esse fato curioso. Nem cantada, nem assédio, como disse no início do relato. Mas… curioso, não?”