Cantada 475

475 – “Talvez o q eu tenho a dizer não caiba no conteúdo dessa página, talvez o que eu tenha a dizer nem corresponda à realidade. Mas eu fui estuprada pelo meu ex-namorado, pelo menos eu me sinto como se fosse assim.  Tinha a culpa de uma adolescente criada em uma sociedade machista e teve um evento traumático ocorrido durante o nosso relacionamento e acima de tudo, teve a pressão. Ele me pressionava desde o começo pra fazer sexo, dizia que não ia esperar nada e que terminaria comigo. Então teve um evento muito doloroso na minha vida, e depois disso eu não me sentia disposta a transar, e ele me chantageava, dizia que ia terminar comigo… e porque eu não terminei, porque eu continuava querendo morrer na maior parte das vezes que a gente transava? Porque nessa altura ele já tinha me dominado, era tanta violência psicológica que eu nem consigo enumerar tudo…desde maltratar o meu cachorro até me dizer que faculdade eu tinha que fazer, de escolher de quem eu seria amiga até dizer que eu não devia ficar falando com meninos. Só sei que nesse caminho eu me afastei dos meus amigos e me foquei nele, ele era meu mundo, e eu o considerava meu melhor amigo, desenvolvi um relacionamento com ele de total dependência…eu tinha medo de viver sem ele e ficar muito sozinha, e depois de mais de dois anos do fim do namoro, quando eu me sinto sozinha, eu ainda quero ligar pra ele, eu achava que ele era meu único e melhor amigo no mundo e quando ele ameaçava terminar comigo se eu não fizesse sexo com ele, na minha concepção ele não falava do nosso namoro apenas, ele me ameaçava com a solidão. E eu me sentia responsável pela felicidade dele, quando eu dizia que ia terminar ele ficava tão infeliz e tinha febre e chorava e eu me sentia péssima em fazer ele sofrer, ainda me sinto. Ao longo do relacionamento eu fui ficando depressiva o que foi me ligando mais ainda à ele, eu me sentia um fantasma, uma sombra do que eu era e cheguei à pensar em me matar. Até hoje, eu ainda acho que a gente terminou só porque a situação estava insustentável pra ele também, se não fosse assim talvez eu não teria tido força pra largar ele. Veja bem, eu passei tanto tempo com medo dele e com medo de todos os outros homens do mundo. Eu perdi parte da confiança nos homens e principalmente da confiança em pessoas que desempenhariam o mesmo papel que ele na minha vida. Eu namoro agora, e não tá tão fácil assim mesmo a dinâmica do relacionamento sendo totalmente diferente.  Relendo o meu relato, parece tudo tão superficial e bobo e as pessoas pra quem eu já contei isso fizeram com que eu me sentisse tão estúpida e super sensível e que tudo fosse insignificante. E eu nunca sei não sei o que pensar, eu só sei o que eu senti e o que eu sinto. A declaração que eu fiz no começo é vazia de certeza, eu me sinto estuprada, mas eu não sei se fui. Fui?”