Cantada 481

481 – “Voltei há poucos minutos do supermercado.  Eu levantei, tomei banho, escovei os dentes, pus uma calça jeans e a primeira regata que eu achei na bagunça enorme que é meu quarto e saí. Fui, comprei minhas coisas e no caminho da volta cruzei com um cara que fez psiu pra mim por dois meses e meio seguidos. Dois meses e meio ignorando uma pessoas que, durante toda a semana, me abordava com um ar malicioso. Mas ele não me reconheceu, porque além de eu não trabalhar mais onde trabalhava (e consequentemente não fazer o caminho que me obrigava a passar por ele) eu pintei o cabelo. Sem ter sido abordada por ele, suspirei aliviada e segui para o farol. Eis que este abre e eu ouço: “nossa, que linda, adorei esses peitinhos!”.  Mostrei o dedo do meio e perguntei “e desse dedo no seu cu, você gosta?”, mas acho que o cara não ouviu.  E ser mulher (dentro ou fora do padrão, alta, magra, loira, morena, negra, índia, rica ou pobre) é assim, você se livra de um aqui, mas substituto de babaca tem de sobra, e em menos de dois minutos vem outro terminar o trabalho que ficou por fazer.”