Cantada 488

488 – “Ai gente não sei o que fazer, perdi a fala, fiquei perplexa. Eu mandei um relato um tempo atrás, sobre um tio que tenho, cunhado da minha mãe, que só falta botar um prato embaixo da boca pra baba escorrer quando ele olha pra mim e pra outra irmã da minha mãe. Nesse domingo de Páscoa, estávamos todos lá na minha avó, família reunida, CHEIO de gente porque a minha família é enorme… Primos, tios, tias, irmãos dos meus avós, cachorro, papagaio…! Os homens ficaram reunidos em volta da churrasqueira, meu pai fazendo o churrasco e o resto petiscando e bebendo. Fui ali pra petiscar um pouco de carne e pegar um copo de cerveja, estava de shorts e camiseta. Abri a latinha, peguei um copo, nem reparei em nada. De repente me deu aquele click, sabe? Quando a gente sente que tá sendo comida com os olhos? Olhei pra frente… O marido da minha tia, babando de um jeito HORRENDO, com um olhar de cachorro faminto quando vê um pedaço de carne, pra minha virilha. Quase escorreu baba da boca dele. Ele se tocou que eu vi e parou de me olhar na hora, virou pro lado e começou a puxar assunto com o meu avô. Ninguém viu, estavam todos conversando, rindo, comendo e bebendo. Mas eu vi bem. Eu não consegui fazer NADA, nem pegar o celular e filmar, nem falar, nada, de tão horrorizada que eu fiquei. A única coisa que eu pensava era: ”COMO, MEU DEUS, COMO? Esse cara me viu crescer, foi ao meu batizado, foi me visitar na maternidade, é pai dos meus primos, tá na casa da minha avó, COMO?”. Achei isso tudo tão nojento que não fui lá pra fora durante o resto do dia, me senti de mãos atadas. Fiquei com medo de falar pro meu pai e dar barraco, fiquei com medo de contar pra minha avó e ela me acusar de dar em cima dele ou de mentir, resumindo, não falei pra ninguém, nem pro meu namorado. Foi a vez que fiquei mais chocada, a forma que ele me olhava, era um olhar de psicopata, pronto pra atacar, foi horrível. Ele não precisou falar nada, não precisou me tocar, mas eu me senti extremamente desrespeitada. Não to aguentando mais isso. Aí final de semana agora, provavelmente vamos para a cidade deles na comunhão do meu priminho, filho dele. Não quero ir pra não ter que aturar esse tarado me comendo com os olhos. Eu to por um fio, juro, UM FIO de abrir a boca e contar pra família toda o que ele faz. Minha mãe disse pra eu pensar bem porque a minha avó não vai acreditar e eu vou passar pela destruidora de lares, minha tia provavelmente vai achar que eu quero roubar o marido dela… A família da minha mãe é complicada. O que eu faço?!?! Nem me lembrei do que vocês tinham falado, de filmar e tal… Só sei que to engasgada com essa história!”