Cantada 489

489 – “Não é a primeira vez que eu sou assediada em ambiente de trabalho. Em todo lugar em que eu trabalhei, tinha um idiota para achar que podia me tratar como um objeto ou falar o que bem entendesse. E eu sempre aguentei essas situações calada, engolindo a minha raiva. Eu nunca tomava providências, talvez por vergonha de me expor ou também por medo, por que sabemos que esses assédios nunca são muito levados a sério e provavelmente eu é que sairia prejudicada. No meu novo emprego não foi muito diferente: Logo na primeira semana, um imbecil começou a ficar de gracinhas pro meu lado. Ficava me encarando, perguntando a minha idade (Tenho 21, mas sempre pensam que sou mais nova), observando o que eu fazia no computador. E como ele não estava fazendo nada aparentemente ofensivo, o que eu fazia era ignorar ele. Não puxava e nem dava assunto, não cumprimentava, fingia que não o via… E além de não adiantar, o idiota passou a me chamar de “minha princesa”. Sabe quando dá aquele nojo? Pois é! E eu ignorando, fechando a cara, e ele me chamando de “minha princesa”. Mas hoje eu tive uma pequena vitória pessoal: Hoje, quando ele ligou pra sala onde eu fico, logo disse “Oi, minha princesa!” Mas dessa vez, ele usou um tom de voz super nojento e degradante. Não teve outra, acabei respondendo “Minha princesa não, me chama pelo meu nome que você sabe muito bem qual é!”. O cara ficou meio surpreso e disse que eu era uma chata e logo mudou de assunto. Ficou todo bravinho e desligou na minha cara. A princípio fiquei irritada com o fato de ele ter me chamado de chata, mas quando inevitavelmente ele teve quer aparecer na minha sala, tava morrendo de vergonha… Olhava pra mim com receio, não se atreveu a puxar assunto, nem ficou perto igual ele ficava antes. Acho que o meu recado ficou bem dado. A verdade é que naquele “me chama pelo meu nome” eu descontei a minha frustração e disse de forma subtendida o que eu sempre quis dizer ao longo desses assédios: “Me chama pelo meu nome, me respeita, me deixa trabalhar em paz, para de invadir meu espaço!” Fiquei até mais leve depois disso. Pois é, eu não fiquei calada e enfrentei aquele nojento. Daí ele me chamou de “chata”. Afinal, chata sou eu por não gostar de ser assediada, né? Mas que se dane, prefiro ser uma chata do que ficar sendo vítima de assédios o tempo inteiro.”