Cantada 501

501 – “Meninas, vou contar algo que me aconteceu que ainda estou chocada.   Durante a semana inteira vou pra faculdade de metrô,então durante os finais de semana gosto de caminhar um pouco. Às vezes aos domingos de manhã vou até uma igreja que fica a meia hora da minha casa então aproveito pra ir andando. Esse domingo quando estava indo como de costume recebi várias buzinadas e coisa do tipo, o que é normal; vale citar que embora eu ame andar de roupas curtas vou à igreja de calça e camiseta antes que resolvam culpar as minhas roupas. Enfim, no meio do caminho olhei pro outro lado da rua e tinha um cara estacionado me olhando com aquela cara que tenho certeza vocês conhecem bem, aquela cara que nos enche de nojo. Fiz o que faço sempre, ignorei e segui meu caminho. Um pouco mais à frente vi o mesmo modelo de carro estacionado do lado da calçada em que eu estava, percebi que não era coincidência, já fechei a cara achando que ele ia me oferecer uma carona mas quando olhei dentro do carro ele estava mexendo no celular. Pensei que estava ficando paranoica, provavelmente ele só estava atendendo uma ligação e continuei meu caminho. Dez minutos à frente vejo o mesmo carro estacionado e já entrei em desespero, praticamente corri até a igreja e ele continuou me seguindo, entrei na igreja correndo e liguei pro meu irmão pedindo que dali a duas horas ele fosse me buscar e expliquei a situação. Meu irmão lógico disse que iria me buscar sim, mas quando desliguei o celular achei que estava exagerando, o cara não ficaria do lado de fora me esperando durante duas horas. Quando saí da igreja que encontrei meu irmão e olhei pro outro lado da rua adivinhem quem estava lá? Quando ele viu meu irmão entrou no carro e foi embora, mas ainda assim durante todo o caminho de volta pra casa vim com medo; meu irmão queria que eu me lembrasse pelo menos o modelo do carro pra que fossemos a delegacia e falássemos que tinha um cara assim rondando a região, mas sou péssima com carros. Quando cheguei em casa contei tudo ao meu pai e ele disse que de maneira nenhuma me culpa pelo acontecido, mas que eu estou proibida de ir a pé a qualquer lugar que fique a mais de vinte minutos da minha casa. Tentei argumentar dizendo que não é justo comigo, me privar de um direito meu por causa de um tarado que me perseguiu às dez hs da manhã; meu pai disse que entendia mas ainda assim é melhor prevenir. Chorei muito pensando no que poderia ter me acontecido e mais ainda ao saber que estou sendo privada do meu direito de ir e vir graças a esse babaca.”