Cantada 512

512 – “Hoje passaram a mão na minha bunda. Também buzinaram, gritaram, falaram obscenidades, me encararam até eu ficar com medo, mas não é sobre estes que eu vim falar.   O “homem” que fez isso era um deficiente físico. Aparentemente tinha uma perna bem menor e mais fraca que a outra, por isso usava uma bengala e andava torto. Tão torto que foi impossível pra ele não entortar o corpo pro meu lado e passar a mão na minha bunda. Gritei bem alto que ia chamar a polícia mas antes dele escutar (e sequer perceber que eu ainda estava prestando atenção nele) ele fez com outra mulher. Uma mulher com a filha do lado, uma mulher que não estava nem perto dele. Foi impossível ele não passar a mão na perna dela, afinal, ele anda mancando. Quando ele percebeu que eu ainda estava falando, quis botar a culpa em mim, disse que eu que tinha parado na frente dele. Mas e aquela mulher? Ela não tinha parado, aliás, ela estava bem longe. E a filha daquela mulher que teve que ver a própria mãe ser assediada no meio da rua? Todo mundo viu, todo mundo ouviu, ninguém fez nada. O centro da minha cidade está entupido de policiais militares com suas novas viaturas, todos parados na esquina. Avisei um deles, ele pediu as características do sujeito e disse que ia ficar de olho.   Quando foi que o ser humano ficou tão nojento a ponto de usar a própria deficiência para abusar de mulheres na rua?  OBS: isso aconteceu no centro de Curitiba, entre a Monsenhor Celso e a XV de Novembro. Alerta às curitibanas.”