Cantada 518

518 –  “Oi! Queria dizer que eu amo essa página, acho que é um local para exorcizarmos as coisas que acontecem com a gente!   13/04/2013  Moro em Foz do Iguaçu/PR, cidade bastante conhecida por fazer fronteira com Ciudad del Este (Paraguay), onde muita gente vai fazer compra todos os dias. O comércio de Ciudad del Este é como imagino que a 25 de Março seja, bagunçado e cheio de gente. É ridiculamente comum os homens mexerem com as mulheres lá, principalmente as brasileiras. Sério, de 10 homens que passarem por você, 09 vão te “cantar”, e não estou exagerando! É normal ouvir as pessoas da minha cidade dizerem que se uma mulher estiver com a auto-estima baixa, basta que ela vá ao Paraguay, onde ouvirá todos os tipo de “elogios”. Contudo, apesar de ridículo, esses caras ficam na fala mesmo, dá pra ignorar numa boa.   Então, nunca havia acontecido algo de mais comigo, até hoje! Bom, eu e minha mãe fomos ao Paraguai comprar algumas coisas! As “cantadas” começaram logo quando atravessamos a ponte. Perdi a conta de quantos carros e motos buzinaram e passaram gritando coisas como “ô lá em casa” para nós duas. Durante nosso passeio, fomos cantadas a todo momento. Parece exagero falar, mas é MUITO, demais mesmo! Até ai tudo bem, continuávamos conversando como se nada tivesse acontecido.  Só que quando estávamos voltando embora, caminhando na rua, fomos abordadas por dois rapazinhos vendendo meias. Eles, muito educados mais insistentes, ficaram nos acompanhando por alguns metros tentando nos convencer a comprar as meias.  Foi ai que o negócio aconteceu. Enquanto eu estava distraída com o menino me oferecendo as tais meias, um homem que estava vindo na minha direção se aproximou e ao passar por mim ME BOLINOU. Mas não foi aquela “passadinha”. A mão dele foi da minha virilha até a minha bunda, num toque pesado, embora não tenha apertado. Foi tão rápido, mas tão rápido que nem deu tempo de reagir direito. No meu estado de choque, a única coisa que consegui fazer foi gritar: FILHO DA PUTA!!!!! (que frase de efeito, hem? hahaha) O cara, covarde desgraçado, continuou andando e se perdeu na multidão.  Nisso minha mãe me perguntou o que tinha acontecido e eu contei para ela. Ela ficou possessa, mas já tínhamos perdido o cara de vista. Até os meninos que estavam vendendo as meias ficaram chocados. O que me deixou mais puta da cara é saber que se eu tivesse corrido atrás do cara e tentado chamar a polícia e o diabo a quatro, não ia ter adiantado nada, porque lá é meio terra de ninguém mesmo. Só que na hora, a única coisa que eu consegui fazer foi gritar mesmo…  Nisso eu não me segurei, comecei a chorar. Eu me considero uma mulher forte, que não me abalo por pouco nem fujo do perigo, mas não consegui aguentar.. Sempre leio os relatos aqui na página e pensava comigo: ainda bem que nunca aconteceu algo assim comigo. Bom, eu nunca me senti tão suja, tão desrespeitada como hoje. Incrível o que um toque consegue fazer. Por fim, continuamos eu e minha mãe nosso caminho para casa, as duas tentando esquecer o que aconteceu. Mas ainda sinto o peso da mão dele na minha perna.  PS: antes que alguém queira justificar dizendo que era porque o cara era paraguaio e é da cultura deles e bla bla bla, eu vi o rosto do babaca, e pelas feições dele, tenho certeza que era brasileiro. Os paraguaios tem traços muito distintos, fica quase impossível de confundir.”  Thaynã