Cantada 520

520 – “Um dia eu estava andando na rua com minha irmã e como sempre, tivemos que lidar com aquelas buzinas desagradáveis, a cada passo que dávamos. Em um certo momento, fomos atravessar uma rua. Veio um carro muito rápido e quando passou perto de nós duas desacelerou e começou a dizer que nós éramos lindas, fez uma cara extremamente nojenta e ficou torcendo o pescoço para trás, passou por nós e colocou a cabeça para fora do carro para ficar nos encarando. Foi então que perdemos o carro de vista, por causa de uma parede e ouvimos um grito de cachorro. Era o imbecil do carro, que não olhou pra frente e não prestou atenção ao trânsito para exercer seu machismo e incomodar mulheres na rua. Ele estava olhando pra trás e não viu o cachorro atravessando. Foi horrível, o cachorro ficou gritando e minha irmã ficou em choque, fui correndo até lá, mas o carro e o cachorro já tinham sumido. Todos que estavam na rua ficaram inconformados… E eu chorando, sabia que a culpa não era minha, mas me sentia de alguma forma culpada pelo cachorro ter sido atropelado. Muito triste e nojento, quantas vezes mais será que ele vai fazer isso? Ele pode acabar atropelando outro cachorro, uma criança, um adulto!”
Nicole Balhs, Gerald Thomas e a cultura do estupro “Cada pessoa tem um talento. Alguns são bons de papo, outros são gênios da física, outros cozinham como ninguém e algumas pessoas nasceram com facilidade de ter corpos que podem ser modificados facilmente com malhação. Cada um usa seu talento como quer e nada disso é um convite. Não é porque você está morrendo de vontade de comer um doce que o dono da padaria tem que te dar um pedaço de bolo, certo? E você também não pode entrar e passar o dedo na cobertura. Todo mundo conhece e entende esse tipo de regra. E então por que com mulheres as coisas são diferentes? Isso é chamado de cultura do estupro. Como já falamos aqui, estupro não é apenas o sexo com penetração feito a força. E a cultura em que vivemos não condena atos como o de Gerald Thomas. E isso é errado.”