Cantada 526

526 –  “Eu tinha 10-11 anos, era a primeira vez que andaria de ônibus sozinha, na verdade minha mãe me embarcou e minha madrinha me esperaria no ponto final. (Antes de qualquer mal entendido: minha mãe me embarcou pois estava grávida, e sua gravidez foi complicada então neste período ela estava de repouso absoluto então combinou com a minha madrinha que me embarcaria, conversou comigo e me deu todas as “ordens” possíveis, tipo: não fale com estranhos, não desça do ônibus em hipótese alguma, fique perto de adultos, qualquer coisa chame pelo motorista….). Eu não consegui um banco para sentar, acabei indo em pé. Um homem de uns 40 anos estava próximo, e ficava me encarando, em determinada parte do trajeto ele começou a se aproximar e acho que percebeu que eu estava sozinha, ele pegou no meu ombro e eu esquivei, andei pro lado, ele sorriu e eu apenas abaixei a cabeça, na hora que este senhor estava prestes a descer ele me tocou, sim tocou a minha vagina por cima do meu conjunto de moletom com desenhos infantis. E sorriu novamente e desceu. Vi que de frente para mim uma senhora viu e não fez nada, me olhou com um ar de desprezo, mas o que eu fiz? Na hora eu não sabia as consequências que aquele ato traria futuramente, hoje uma década após o ocorrido eu não consigo me sentir à vontade, não vejo prazer em sexo, eu não consigo esquecer a cena e o sorriso maldito. Nunca tive coragem de contar para ninguém exceto, recentemente para meu namorado. Me sinto envergonhada, me senti indefesa…sei que isso não se compara aos casos de abuso, ou mesmo outros relatos daqui, mas isso me gerou um certo bloqueio… Demorei anos para entender o quão errado foi aquilo…”