Cantada 529

529 – “Este fato aconteceu aproximadamente há três anos, sou de Belo Horizonte e em certo sábado combinei de ajudar minha amiga Jô com um trabalho da faculdade e fomos até a Savassi, bairro de BH, na casa do colega de sala dela para realizarmos o trabalho.   Na volta, descemos a pé até o centro onde pegaríamos um ônibus para casa. Descendo a Rua da Bahia, um indivíduo com aparência de ser pai de família, trajando roupa social, uma maleta na mão, idade entre 35 a 40 anos e suposta aparência de homem sério, começou a nos seguir e pronunciar aquelas bobagens corriqueiras que a maioria dos homens safados falam e que nós mulheres já ouvimos pelo menos uma vez na vida. Minha amiga muito esquentadinha começou a ensaiar um bater boca com ele. Daí eu a repreendi, dizendo para não retrucar e ignorar o que ele estava falando, mas alertei que se por acaso ele se aproximasse demais e tocasse em uma de nós, à coisa mudaria de figura. E assim continuamos nosso descida até a Avenida Afonso Pena.   Em nenhum momento senti medo de algo pior acontecer, pois a rua que estávamos é bastante movimentada e ainda era uma tardinha clara no horário de verão.  Quando chegamos ao ponto onde íamos pegar o ônibus, e o tal cara ficou a certa distância atrás de nós, continuando a falar bobagens, e eu o tempo todo pedindo para minha amiga ignorá-lo. E acabou mesmo que distraímos no papo, quando por pouco não perdemos o ônibus, minha amiga afoita entrou primeiro e quando eu estava subindo as escadas o tal homem puxou meu braço, pedindo para esperar porque queria falar comigo, neste instante, a vista escureceu, e eu como sempre saio com bolsas grandes e que na maioria das vezes estão pesadas (por esta minha mania de encher a bolsa de coisas e quase sempre não uso nem a metade), sem pensar duas vezes dei nele uma bolsada bem na cara que o sujeito chegou a cambalear, daí percebi que ele estava investindo para me agredir e para fugir do soco revidei com outra bolsada que ele tonteou e quase caiu, emputecido, o cara começou a me xingar de piranha, vagabunda, e minha amiga parada dentro do ônibus transparente de tão assustada, o motorista esperando eu entrar com a cara de quem não sabia o que fazer, quando apareceu um rapaz que percebeu a intenção do maldito de me agredir e veio em minha defesa.   Quando o maldito homem viu a aproximação do rapaz, lógico né! Que covardemente correu me xingando de piranha. Detalhe! Eu fiquei com tanta raiva e tão cega, que nem percebi que do outro lado da rua tinha um posto da policia militar. Sei que a primeira atitude que deveria ter tomado, era de chamar a policia, mas gente! Não pensei nisso e não pensei mesmo! Porque por mais que eu tenha pedido minha amiga pra ficar calma e não discutir com o homem durante nosso trajeto, por dentro a minha vontade era de encher ele de porrada desde o inicio, sem saber ao menos se daria conta.  Como tudo que está ruim pode piorar, esta história tem um final interessante. No momento da bolsada meus dois celulares caíram no bueiro, com isso o motorista não pode mais esperar e foi embora, o rapaz que apareceu foi quem nos ajudou a retirá-los lá. No final quando tudo se acalmou, eu e minha amiga tivemos uma crise de risos, fomos rindo e rindo cada vez mais, pela loucura que fiz e também um pouco para extravasar o nervosismo pelo risco que corremos, quando mais que de repente se aproxima de nós uma moça que apesar de não termos notado, estava lá e presenciou tudo desde o início. A tal moça virou pra mim e falou assim, “é meninas, vocês estão rindo mais na realidade correram muito risco hoje viu!”.  “É eu sei, e justamente por isso que estamos rindo” eu disse.  A moça retrucou dizendo, “aqui vocês sabem aonde é a Igreja Universal do Reino de Deus, o Templo Maior ali na Olegário Maciel?”. “Sei sim” respondi. “Pois é, dá uma passadinha lá porque vocês duas estão precisando”.   Eu queimei e disse, “para o que aconteceu hoje minha filha nós todas precisamos, pois isso pode acontecer com você, com esta saia comprida, com a bíblia na mão e no momento em que estiver voltando da sua igreja”. A mulher fez cara de deboche e nos deu as costas.   Moral da historia, eu e minha amiga fomos assediadas, revidamos o assédio e no final fui julgada por uma mulher pelo meu comportamento. Se eu permitisse o homem me tocar seria julgada por estar dando mole pra ele, como não aceitei fui julgada por estar possuída e por isso precisando de uma igreja pra me exorcizar.”