Cantada 536

536 – “Estava gravida de 7 meses e fui até Brasilia para fazer meu chá de bebe na casa da minha mãe. Moro em São Paulo. Resolvi voltar de ônibus. a viagem é de 15 horas, curtinha, eu viria dormindo o tempo todo, me sentia mais a vontade pra viajar com aquele barrigão, do que de avião. Ao entrar no ônibus, a cadeira ao meu lado estava vazia. Tinham mais duas cadeiras vazias na minha frente , e o resto estavam todas ocupadas. Ao sair de Brasília e chegar na cidade vizinha, a primeira parada, entro um homem aparentando ter entre 40 a 45 anos e sentou em uma das cadeiras em frente a minha.  Já eram uma 8hs da noite e eu estava meio sonolenta por conta dos remédios que eu estava tomando da gravidez. Nessa hora, uma menininha de uns 7 anos que estava atrás de mim começou a puxar meu cabelo. Eu levantei e comecei a brigar com ela e com a mãe, dizendo que era um desrespeito comigo pois estava grávida. O cara da frente, na mesma hora olhou pra trás para ver o que estava acontecendo. Nessa hora, ele deu uma olhada em mim, levantou e sentou do meu lado. Eu já fiquei com medo.  Ele ficou puxando papo, perguntando meu nome, me ” secando ” com aquela cara de quem esta despindo a pessoa com os olhos. Me senti extremamente invadida, levantei e fui pra cadeira da frente. PASMEM. Ele levantou e foi atras de mim e sentou do meu lado de novo. Eu disse pra ele que queria ficar só por causa da minha barriga e voltei pra cadeira de trás e ele foi atrás de novo. Ficou dizendo que adorava uma ” brabinha “. Eu resolvi ignorar, virei meio que de costas, abracei a minha barriga e encostei a cabeça no vidro. Estava muito dopada de remédios para enjoo. Quem toma DRAMIN sabe do que eu tô falando.  das 15 horas de viagem, 8 eram madrugada a dentro, e ele foi a madrugada inteira me apalpando, tentando me abraçar, acariciar minha barriga, colocando a perna dele no meio das minhas, esfregando as partes dele em mim, dizendo que queria me ver nua ” com aquele barrigão ” falando obscenidades no meu ouvido.  Hoje quando paro pra pensar, tenho raiva de mim por não ter gritado, pedido ajuda, feito alguma coisa. Mas na hora só sentia medo. Medo do que as pessoas iam dizer. Medo de não fazerem nada e ele ainda por cima me machucar por raiva. Medo de tudo. Chorei em silencio. Quando o ônibus parou a ultima vez antes de chegar em São Paulo, liguei pro meu marido e contei tudo pra ele. Ele disse que ia me esperar na rodoviária.  Quando cheguei na rodoviária, antes de descer, o cara veio me falar que me queria, que podia me dar casa, que ele tinha muito dinheiro. Eu desci apressada.  Meu marido me esperava do lado de fora, o sujeito passou rápido por mim quando viu meu marido e sumiu no meio da multidão.  Sei me senti tão imunda e tão invadida que nem sei explicar.  Que mundo é esse que nem as mulheres grávidas são dignas de respeito?”