Cantada 544

544 – “Tenho 21 anos, esse caso se deu quando eu tinha 18 e estava no cursinho pré vestibular.   Eu conversava mesmo só com umas 3 ou 4 pessoas do cursinho, mas vários meninos dali faziam questão de me dizer oi com um beijo no rosto, com sorrisos e tal. Eu sabia que eles estavam interessados em mim com segundas intenções, mas como nunca, nunca mesmo haviam me desrespeitado, eu era simpática e retribuía a gentileza, tomando o cuidado de não dar abertura para que qualquer um deles achasse que eu também estava a fim, já que eu namorava sério e tal.   Um dia, porém, entrei na biblioteca e só estavam lá o rapaz que fazia o empréstimo dos livros e outros 3 meninos, sendo que dois deles se enquadravam nessa turminha que era legal comigo só por interesse. Cheguei, disse oi, nem cumprimentei com beijo nem nada, mas fui agradável. Quando eu estava para devolver o livro, um dos meninos pediu emprestado para “dar uma olhada” e começou a comentar “Humm, então. Era desse livro que eu tava falando. Esse livro é bom, hein?” o outro respondeu “Nossa… esse livro aí é bom mesmo. Se eu pudesse eu lia ele todinho, página por página.” Eu só me toquei quando a palavra “todinho” foi dita daquela maneira tipicamente nojenta, faltando só o cara tatuar na cabeça “eu tenho um pênis”. Enfim…. Daí o rapaz que cuidava da biblioteca começou a rir, o que me deixou super desconfortável, porque de todos ali, ele era o único com quem eu realmente simpatizava e achava que era legal sem maldade, e eu achava que ele iria meio que me defender e não rir junto. Daí um dos outros garotos perguntou para mim “Você deixa a gente ler seu livro?”.  Eu disse ironicamente “claro… até parece”. Uma resposta besta, eu sei, depois pensei em uma dúzia de outras melhores que deixariam eles sem graça. Mas na hora não deu para pensar rápido. Virei as costas, saí e na primeira oportunidade dei um gelo gostoso em cada um deles, na frente dos amigos.   A história não termina aí.  Conversando com meu namorado da época, ele ficou super irritado. Não só porque ele é meu namorado, mas pq ele também repudia esse tipo de comportamento dos homens.Ele disse que eu devia ir falar na diretoria e me incentivou a responder melhor da próxima vez. Eu não tinha coragem de ir reclamar na diretoria, porque os rapazes em questão eram muito amigos do filho da diretora, e eu achei que eles fariam pouco caso, diriam que eu era boba, fresca. Eu estava tão irritada e nervosa (afinal eu tinha ficado sozinha com eles na biblioteca e a verdade é que se eu respondesse alguma coisa que realmente aborrecesse eles, será que eles não iriam partir para algo ainda pior? Não saberia dizer). Percebendo o quanto eu estava incomodada frente à situação, meu namorado perguntou se eu queria que ele tomasse alguma atitude. Eu falei que sim.   Numa excursão do curso, levei meu namorado e depois dele ralhar (tipo dar uma bronca, não bater) com os moleques, ele fez os 2 garotos pedirem desculpas para mim na frente de pelo menos metade do cursinho. Eu achei ótimo a humilhação, mas gostaria de ter podido me defender sozinha e ter obtido a mesma eficiência.   Resultado: continuaram a conversar comigo, só uns 2 meninos que realmente estavam interessadas na minha amizade. Os outros garotos simplesmente não olharam mais na minha cara. E eu prefiro assim.”