Cantada 546

546 – “Atual status (na condição de mulher): ao querer ir à padaria depois de escurecer, preferindo calça larga e moletom com capuz e abrindo mais as pernas pra andar, porque a sociedade acha que essas são coisas de homem, e se passando por homem é mais fácil evitar, se não assalto, estupro e assédio na rua.  —   Sinceramente, É UMA MERDA (além de ridículo), mas é assim que eu vou à padaria depois que escurece. com minhas ~roupas de homem~ herdadas do meu lado butch.  Hoje, obviamente, ninguém falou comigo, mas alguns caras têm o dom e a ousadia de cantar mulheres na rua de noite, como na semana passada ao passarem de carro. E sabe? eu duvido que esse tipo de cara não tenha imaginado que, quando ele passa me cantando de carro numa rua completamente vazia e com pouca iluminação, a única imagem na minha cabeça é a desse mesmo cara me estuprando dentro desse mesmo carro e que a única coisa na qual eu me concentro na hora é em manter uma mira perfeita nas bolas dele e procurar a minha chave tetra pra enfiar no seu olho esquerdo.  Hoje eu só tive medo se ser assaltada, porque parecia um moleque, mas geralmente eu tenho o medo triplo já citado acima. Então, se você, homem (cis ou trans) que preza pelas suas partes baixas e seus olhos, por acaso cruzar com uma mulher na rua à noite, aja como se ela fosse um animal feroz, ou seja: não a encare, não fale com ela, não se aproxime demais e não faça movimentos bruscos. muito menos se estiver de carro.  Nós não temos culpa se sentimos mais medo de você à noite — quem tem culpa é o sistema perpetuado pela maioria de homens cis e héteros. se você é um cara legal, quem bom. Mas pode ser incrível começar a conversar com seus coleguinhas sobre como pode ser maravilhoso não ser considerado estuprador em potencial — eu ia adorar não ter mais medo de cruzar com você na rua e ficaria muitíssimo grata se você ajudasse a acabar com esse sistema idiota.  Atenciosamente, e força, menines.