Cantada 547

547 –  “Bom, primeiro gostaria de parabenizar xs criadorxs da página. É maravilhoso vocês darem essa voz as mulheres, então muito obrigada!Eu já passei por muitas situações de assédio/ cantada bem embaraçosas desde que eu tinha uns 12 anos mais ou menos, e sempre de certa forma me culpei por isso. Eu acreditava que “homens eram assim mesmo” e era meu dever aguentar calada, quem sabe eu deveria até agradecer! Mas quando eu “descobri” o feminismo essa minha visão mudou radicalmente, eu aprendi que esse corpo só pertence a mim e que NINGUÉM tem o direito de me tocar, assediar, desrespeitar meus limites pessoais…Uma das piores situações pela qual passei foi no primeiro ano do colégio. Eu tinha um professor que assediava a mim e todas outras alunas, ele falava sobre sexo conosco, contando suas “aventuras sexuais da juventude”, sempre com detalhes que nenhuma de nós nunca quis saber. Ele inclusive mudava notas de algumas alunas contanto que dessem ouvidos a ele e fossem “simpáticas”. Pois bem, eu nunca gostei muito dele exatamente por esse excesso de atenção, e nunca dei liberdade pra ele “brincar” comigo. Porém, isso não o impediu de continuar com as “gracinhas”. Um dia durante o intervalo eu derramei sem querer um pouco de leite na camiseta do uniforme, na região próxima ao seio. Eu morri de vergonha, mas não tinha o que fazer, tive que continuar com a camiseta um pouco manchada. Quando voltei pra sala era aula do tal professor. Qual não foi minha surpresa quando ele se aproximou de mim na frente de vários outros alunos e comentou: “Nossa o quê aconteceu, que leitinho é esse,hein?” Eu morri de vergonha, pois ele disse isso com a voz mais nojenta do mundo, e durante toda a aula continuou fazendo piada de duplo sentido sobre eu e o “leitinho”. Foi horrível e extremamente constrangedor. Eu que sempre fui muito tímida, não retruquei, só abaixei a cabeça e permaneci calada.Mas se fosse hoje com toda certeza eu não só o responderia como também falaria com a diretoria. Eu aturei esse professor e seus assédios durante um ano, mas fiquei extremamente feliz quando recebi a notícia de que ele havia sido despedido. Parece que a direção da escola também sabia da falta de ética do professor e de seus “casos” com as alunas, e dai eles o despediram. Agradeço até hoje por isso, sem ele eu e outras colegas podemos terminar o colegial em paz.”