Cantada 550

550 – “Semana passada estava passando pelo quarteirão fechado da Praça Sete, em BH, com uma amiga. Estávamos caminhando, conversando, tomando sorvete distraídas. Quando passamos perto da escadaria um rapaz que estava sentado se levantou rapidamente e ia passar o braço ao redor dessa minha amiga, que não notou em nenhum momento a aproximação do cara. Minha reação imediata foi puxá-la pela cintura com intimidade e olhar firme para o infeliz, que ficou sem reação e visivelmente sem graça. Sustentei o olhar até ter certeza de que ele não nos seguiria e continuamos nossa caminhada. Ele estava bêbado, percebi depois que segurava uma garrafa de qualquer coisa e estava acompanhado de outros dois caras que ficaram rindo da situação. Imaginei, se ela ou eu estivéssemos sozinhas nessa hora, o que poderia ter acontecido? Não se pode mais andar sozinha, já se acham no direito de ir puxando uma mulher para si, como se fossemos um objeto, um folheto. Lamentável.”