Cantada 555

555 – “Era sábado de noite, e a gente queria sair pela cidade, curtir. Terminei de beber minha latinha de cerveja e vi uma lixeira há uns metros dali. Pedi pra minha amiga ir ali comigo colocar a latinha no lixo.  Fazendo isso a gente se afastou um pouco dos nossos amigos. Passou um carro pela gente e o cara do carro disse “e aí gurias, querem uma carona?” diminuindo a velocidade, dando medo. Mas eu gritei pra ele se fuder. E foi uma delícia. O problema é que a minha amiga ficou meio braba comigo, pedindo pra eu não fazer mais, perguntando “pra quê fazer isso?” e dizendo que é perigoso. É, se eu não estivesse com mais gente talvez eu não tivesse gritado. TALVEZ. Na verdade acho que teria sim. O que seria bem perigoso de fazer, realmente, porque eles deram a volta com o carro falando mais umas coisas que a minha amiga não me deixou ouvir por causa do sermão que ela tava me dando.  Mas eu só acho gurias, que a rua também é nossa, e a gente não tem que se intimidar com esses palhaços. Claro, vamos usar o bom senso e quando for muito perigoso, infelizmente o melhor é ficar quieta, mas sempre que der pra responder, vamos responder. Naquele momento, com certeza não ia acontecer nada. Era só um bando de playboyzinhos babacas e, qualquer coisa, tinha mais gente ali. Bastante gente, aliás.   Se todas nós respondermos, isso pode parar. A gente tem que responder. Quando eu respondo, eu não faço isso só por mim e sim por todas nós. Quando uma responde, ela tá libertando todas. Uma hora eles vão entender que a gente não tá de brincadeira e isso vai parar. Sou otimista, mas não tem como isso acontecer se a gente não responder.  E qualquer coisa… spray neles, gurias.”