Cantada 558

558 – “Fui com os amigos a uma balada alternativa/gay como sempre faço. Gosto de baladas assim porque o preço da entrada é o mesmo para todos, porque meus amigos gays vão e porque as pessoas no geral são mais educadas. Enfim, lá pelas tantas fui abordada por um moço simpático, ficamos a noite toda. Enquanto estávamos juntos, ele apresentou seus amigos, tiramos fotos juntos e etc. Tudo na maior educação possível.  Mais tarde fomos andar pela balada de mãos dadas (pra gente não se perder) atrás dos meus amigos. Queria apresentá-lo à eles. Rodamos pra lá e pra cá. Eis que nessa hora um camarada com cara de cão triste, tentou chegar em mim, mas neguei. E assim que me viro, um outro do nada me abraça e quase me beija! Só não beijou mesmo porque virei o rosto. E aí fiquei pensando: O que passa na cabeça de um cara de fazer isso? Nem vi seu rosto, não vi se era bonito ou não e já veio assim pra cima de mim? Ainda por cima, eu estava com uma outra pessoa. Não era namorado e sim um homem que estava pegando naquele momento. Aliás, nenhum dos dois viu que eu não estava sozinha? E se viram, ligaram pra isso? Não sei, mas não é assim que se chega num mulher: agarrando à força! Imagine só você tá com alguém e um outro surge tentando beijar esse alguém? Não seria estranho?  Além disso esse meu peguete é estrangeiro, logo não sei se essas coisas pra ele são normais ou não.  Mas acho falta de educação abordar uma moça assim ou beijar alguém estando do lado de quem você tá pegando. Mais tarde o gringo queria sair dali comigo para “ficarmos mais à vontade”. Neguei porque apesar de querer, o medo bateu forte. Medo de ir à um canto com um homem que tinha acabado de conhecer, medo de ser abusada, medo de que acontecesse algo de ruim comigo. Sem contar a fama que a brasileira tem de que é uma mulher fácil (e daí se ela quer sexo?), logo alguém que não se deve respeitar.  Disse “não” a mim mesma por conta da cultura do estupro que muitos idiotas teimam em dizer que não existe. Pois se isso não existisse, não teria medo e faria o que eu queria fazer, e o outro imbecil não tentaria me beijar à força. Mas apesar disso tudo, peguei o facebook do estrangeiro.”