Cantada 567

567 – Esses dias estava indo para a faculdade de ônibus.Como estudo de manhã o ônibus estava cheio,mas ainda assim tinha espaço suficiente para ninguém ficar “se esfregando”.Eu estava distraída e de repente senti alguém apertando a minha bunda,quando olhei para trás tinha um idiota lambendo os lábios,nem pensei na minha reação,quando dei por mim já tinha dado um tapa na cara dele.Ele ficou tão chocado quanto eu e ficou me encarando,o ônibus ficou em silêncio absoluto,olhei no fundo dos olhos dele e disse bem alto “Isso é pra você aprender a nunca mais colocar a sua mão nojenta em mim,agora sai daqui antes que eu quebre todos os seus dedos”.Gente,eu sou fraca,nunca conseguiria quebrar os dedos dele,mas de algum lugar tirei coragem para falar isso,rs.Ele continuou me olhando e respondeu “É que tem algumas meninas que gostam.”Fiquei mais besta ainda com essa justificativa ridícula,então respondi “Eu realmente duvido que alguma mulher gosta de ser apalpada sem permissão por um estranho,principalmente se ele for um nojento como você,esse tapa que eu te dei foi em meu nome e em nome das coitadas que nunca tiveram coragem de te responder como você merece,seu fdp,anda eu ja mandei sair de perto!”Depois que eu disse isso o cobrador mandou o motorista parar o ônibus,pq ele queria que aquele palhaço descesse.Ele desceu de cabeça baixa,assim que ele desceu todos do ônibus começaram a dizer que eu estava certa de não permitir aquilo e etc.Mas isso me deixou com mais raiva ainda,pq durante o ocorrido ninguém falou nada,me deixaram lá,batendo boca sozinha,só depois que ele desceu que me defenderam,só quando eu não precisava.Fiquei quieta e pra piorar uma senhora que estava sentada me olhou e disse “Você esta certa de não querer que passem a mãe em vc,mas vc não pode reagir assim,fazendo barraco,vc deveria ter chegado no cobrador e falado pra ele mandá-lo descer,não existe nada mais feio que mulher barraqueira.”Mais uma vez o ônibus ficou em silêncio.Vê se eu posso com uma coisa dessas –‘ Como eu ja estava nervoso,respondi gritando “Não existe nada mais feio que mulher barraqueira?Então é mais bonito um homem abusar de uma estranha dentro de um ônibus ?O certo seria eu ficar calada?Pq ?Pq ele é homem ?Por isso tenho que baixar a cabeça pra ela ?Em que época a senhora vive?Os mesmos direitos que ele tem,eu tenho.Da mesma forma que ele estava nesse ônibus indo ganhar a vida,eu tbm estou,eu reagi dessa forma e se for necessário eu reajo de novo,se a senhora acha que não devo reagir assim,da o seu lugar pra mim e fica aqui em pé a senhora deixando passarem a mão no seu corpo já que a senhora não o valoriza,eu cuido bem demais do meu,por isso aqui só encosta a mão quem eu permitir,quem encostar sem a minha permissão vai apanhar sim!”Ela ficou vermelha de raiva e disse “Tão nova e tão barraqueira.”Eu disse “Tão véia e tão entrometida.”O cobrador interviu de novo e disse “Moça,faz o seguinte,fica aqui ao lado da catraca que eu não vou permitir que ninguém mais encha seu saco,sua cota já deu por hoje.”Toda inocente fui pra lá e ainda agradeci.Coloquei meus fones de ouvido,se passaram cinco minutos,eu toda iludida achando que tudo ficaria em paz,o cobrador me cutucou e disse baixinho “Aonde vc vai descer?”Eu respondi que era dali a dois pontos,ai ele respondeu”Então é melhor eu dizer rápido,desde quando vc entrou no ônibus estava te olhando,vc é uma morena muito bonita,isso tudo o que aconteceu foi chato,mas foi bom pq agora vc esta aqui perto de mim,você poderia me dar seu telefone?”Gente,eu fiquei besta,pela terceira vez no mesmo dia tinha alguém me irritando,ele deveria ter uns vinte anos a mais que eu e estava abusando da situação pra pedir meu telefone,meu olho se encheu de lágrimas,mas pra minha surpresa comecei a rir de tão incrédula que estava,mas como ele foi educado só respondi,entre gargalhadas,que tenho namorado,embora eu não tenha.Ele ficou sem graça e disse “Tudo bem,não custou tentar.”Desci do ônibus tremendo e estou chocada até agora que tudo isso aconteceu em menos de uma hora,espero que tenha gasto minha porcentagem de coisas ruins do ano inteiro.