começaram a berrar gracinhas e a dizer coisas nojentas – 698

698 – “Meu bairro é meio novo, então tem um monte de construção na vizinhança. Minha família foi uma das primeiras a mudar pra cá, então nunca tive problemas na minha rua. Mas dois quarteirões acima, estão construindo uma academia. Dia desses estava voltando do trabalho parecendo um inuit de tão encapotada, dado o frio que tem feito em SP – porque né, o que eles querem é intimidar, não tem relação alguma com a nossa roupa ou o nosso corpo. Era por volta de 4 da tarde e os pedreiros da construção começaram a berrar gracinhas e a dizer coisas nojentas. Umas senhoras que estavam andando perto de mim ficaram super sem graça e aceleraram o passo. Olhei pra cima (eles estavam em andaimes, trabalhando no 2o andar) e berrei “Vem cá, vocês não tem vergonha na cara não? Tão sendo pagos pra trabalhar ou pra constranger mulheres? Vou ai falar com o dono da academia!”. Eles ficaram super sem graça e correram pedir desculpas. Não falei com o dono da academia porque eles aparentemente pararam de graça, e quando passo por lá eles olham pra todo lugar, menos pra mim. Mas se eu ouvir o menor sinal de gracinha, vou lá e falo com o dono, faço B.O. se for necessário. Ninguém é obrigado a ouvir coisas como “te chupava todinha, heim?” quando só quer exercer o próprio direito e ir e vir.”  Eva Morrissey