Olhou para todos os lados, abaixou as calças – 703

703 – “Estou tremendo de nervoso pois acabei de passar por uma situação horrível. Gostaria compartilhar pois estou aqui sozinha e me sinto melhor conversando. Peço desculpas se o relato ficar grande ou confuso, pois estou muito nervosa.
Acabei de sair de casa para ir ao supermercado. Moro em uma rua mais afastada e cheia de terrenos vazios em construção.
Bem na esquina de casa, passou um senhor de bicicleta e ficou me encarando. Desconfiei dele e esperei que ele fosse embora para poder seguir meu caminho. Ao seguir, vi um outro homem de uns 60 anos agindo de forma suspeita, olhando para os lados e depois olhando pra mim. Como tenho tendência a ser paranóica, achei que eu pudesse estar exagerando e continuei mesmo assim. Passei no meio de um terreno vazio para cortar caminho e me afastar desse homem, mas ele deu a volta, entrou pelo terreno e veio em minha direção. Olhou para todos os lados para certificar de que não vinha ninguém, abaixou as calças e disse: “Olha que delícia minha calcinha”. (O monstro estava usando uma tanguinha preta.)
Eu disparei a correr, desesperada de medo dele fazer algo contra mim, e fui até uma estação policial. Contei o que havia acontecido e saí com dois policiais para tentar encontrar o sujeito. Infelizmente não foi possível encontra-lo, então os policiais me deixaram em casa.
Vocês devem imaginar o pavor que senti por estar sozinha na rua com esse cara. E o pior é que ele certamente mora perto de mim, e deve fazer essas exibições constantemente. Ele deve ser pai – e até mesmo avô de alguém – e mesmo assim age com tamanho desrespeito doentio.
Todos os dias passo por algum tipo de assédio, essa semana mesmo cheguei a relatar um aqui.
Sinto muito nojo de viver em um mundo em que temos que estar constantemente alerta, e sabendo que, provavelmente, não conseguiremos nos defender, pois os homens são fisicamente mais fortes do que a maioria de nós.
É revoltante ter que viver com medo, não poder sair de casa sozinha em pleno domingo de manhã, vestidas dos pés à cabeça (ou mesmo com roupas curtas, já que isso não é motivo. Mas bem, eu estava totalmente coberta e olha o que aconteceu).
Eu penso qual seria a solução para que nós mulheres não fôssemos tão vulneráveis e sinto raiva de ver que não há solução nenhuma que caiba a nós. A única seria todos os homens se darem conta do quão absurdo é esse comportamento.
Mas, infelizmente, isso está longe de ser realidade e, realmente, não tenho a menor vontade de viver em mundo assim.”