chegou pertinho de mim e passou a mão por baixo do meu vestido – 986

986 – Tentei mandar este relato para outra pagina, mas não publicaram. Pela minha foto de perfil disseram que o sujeito fez isso por que eu tenho ‘cara de ser uma puta’.  [ – Nota da administração – mantive essa observação para mostrar o quanto ainda se culpa as meninas e as mulheres pelos assédios que sofrem. Pelo relato fica claro que o dito pela administração da outra página não faz sentido nenhum.]

Um belo dia neste ano, eu – tenho 16 anos – fui junto de meus familiares (meu avô, minha avó e minha irmã de pouco mais que 7 anos) para o shopping, comprar os presentes para este natal. Nos divertimos todo o dia, lembro-me de até ter pensado em dizer que havia sido o dia mais legal que eu havia passado.

Até a hora de escolher os presentes, estávamos pensando em escolher alguma boa loja para ir, até que eu dei a ideia de ir em uma loja em particular que vende várias coisas bem bacanas e por um bom preço. Minha irmã também gostava muito daquela loja, então meu vô e minha vó disseram-me para ir acompanhando minha irmã até lá enquanto eles iriam tomar um café.

Nós duas fomos indo para a dita loja olhar os brinquedos e outros conteúdos. Chegando lá demos várias voltas pela loja, era um lugar pequeno com prateleiras pelas paredes (até na janelona grande que serve para demonstrar o que há dentro da loja); a unica parte que realmente era grande era uma parte mais para trás, onde fica o caixa.

Tudo ia bem, minha irmã até havia escolhido o brinquedo dela, mas decidiu continuar olhando o que mais tinha lá. Até que um senhor muito velho chegou, ele tinha os dedos meio tortos nas duas mãos, era um pouco obeso e andava com duas crianças de uns 8 anos no máximo. Elas o chamavam de ‘vovô’ o tempo todo e demonstravam muita animação quando estavam com ele, mas ele parecia mais que tentava despistá-las e olhava atentamente para as mulheres da loja, em especial para mim… Mas eu não o considerava uma ameaça, ele tinha jeito de gentil e eu nunca havia sofrido nenhum mal com um idoso!

Ele começou a olhar distraído para os objetos das prateleiras, mas sempre andava para o meu lado e esbarrava a mão em meu quadril ou minhas coxas. Na verdade eu nem percebi logo de cara! Eu ficava com pena pensando que era pelo fato de os dedos dele serem levemente tortos para os lados (sabe-se lá se isso também não era fingimento apenas para poder tocar nas mulheres) ficava com vergonha de mandá-lo se afastar, então eu me afastava e ia para outra prateleira. Até que percebi que já fazia uns 6 minutos que eu caminhava para um lugar e aquele homem vinha atrás. Decidi caminhar para a parte mais perto do caixa, ficava mais para os fundos da loja e tinha uma quina da prateleira que tampava onde eu estava, tentei meio que me ‘esconder’ naquele lugar, mas só consegui ficar fora da visão de todos, exceto do velho. Isso não me pareceu mau, eu só estava fazendo um teste, se aquele homem viesse para perto de mim, mesmo com tanto espaço em volta, ai sim eu iria me preocupar!

Eu tinha certeza ABSOLUTA que aquele homem não queria nada comigo, que ele era só um senhorzinho bondoso -mas admito que era estranho aquelas garotinhas correndo atrás dele e o chamando de ‘vovô’ quase que como aqueles filmes antigos com traduções ridículas falando de um jeito formal que ninguém fala!  Comecei a olhar pelas prateleiras até que percebi que ele estava vindo para minha direção, e percebi tarde, por que já estava tão perto que se eu tentasse sair daquele lugarzinho, eu iria acabar esbarrando nele, e eu não queria nem mesmo tocar naquele homem!

Ele chegou pertinho de mim e passou a mão dele por baixo do meu vestido, acariciando a minha ‘área baixa’ por cima da calcinha. Fiquei tão enojada, assustada e mais um monte de sentimentos horríveis que eu nem consigo distinguir, que em menos de um segundo, segurei a mão dele o assustando também e o fazendo recuar.

Saí de lá e caminhei para a saída da loja, nem tive tempo de escolher o meu presente de natal; puxei minha irmã pela mão e ela me acompanhou sem nem dizer nada, mas tenho certeza de que ela não viu a cena. Só pude escutar a voz dele de baixinho falando “Maluca!” como se quisesse me ofender!

Desde aquele dia sinto até medo de ir ao shopping. Tentei me tranquilizar pensando que nunca mais o veria, mas pouco tempo depois fui lá com o meu vô e minha vó comprar o meu presente e ele estava sentado em um banco da praça de alimentação (sorte que não me viu!). Mas o que mais de assustou foi que, em uma tentativa de caçoar daquele monstro e tentar me alegrar um pouco, disse à minha irmã “lembra daquele cara gordo da loja? ele era tão gordo que quando andava ia empurrando com a barriga as meninas que estavam junto dele!” Minha irmã olhou com um jeito assustado para mim, como se falar desse homem a assustasse, e eu me toquei de que nem mesmo fiquei olhando para ela na loja, não passou pela minha cabeça se aquele sujeito também não foi atrás dela enquanto eu tentava despistá-lo!

E pensando agora, posso não ter sido só vitima de assédio como também de um pedófilo, minha irmã e eu.