com a perna numa tala, no avião, o sujeito me assediou – 652

652 – “No início deste ano, sofri um acidente numa pista de ski e tive uma lesão séria no joelho. Por isso, andava de cadeira de rodas ou muletas, com a perna imobilizada numa tala, sem poder firmar o pé no chão. Desnecessário dizer que estava completamente dependente e vulnerável. No vôo de volta para o Brasil, me colocaram na classe executiva, para poder esticar minha perna na poltrona. A poltrona logo do meu lado estava vazia, mas do outro lado do corredor havia um senhor de meia-idade, que não parava de me encarar desde que eu havia entrado no avião. Inicialmente pensei que fosse um olhar curioso pela minha situação física. Mas ele não parava de me encarar, com olhares daqueles que os homens frequentemente nos lançam nas ruas. Incomodada com aquilo e me sentindo acuada, eis que de repente ele se levanta e senta na poltrona do meu lado. Fiquei sem reação. Ele perguntou se eu precisava de ajuda, respondi que não. Ele insistiu em me ensinar como ligar a TV. Ao final da “aula”, agradeci e ele voltou pra poltrona. Mesmo assim, o tempo inteiro durante o vôo ele continuava encarando e puxando assuntos que eu não rendia. O “fatality” veio quando chegamos em SP. Com o avião parado, todos se levantando pra sair, ele sentou denovo do meu lado e pediu meu nome e meu telefone. Falei um nome aleatório e chutei um telefone. Ele disse “você é linda” com AQUELE olhar e saiu. Deu vontade de chorar! Nem dar um chute no saco dele eu podia.”