Começaram a me ofender, me chamando de ‘puta’, ‘quenga’ – 872

872 – “Tenho 21 anos, sou estudante, moro sozinha e vou contar o pior dia da minha vida (hoje).
Faço universidade e para ajudar a custear meu aluguel na cidade de São Paulo eu trabalho como monitora em uma das bibliotecas da instituição. Como moro muito próximo à faculdade sempre optei por fazer o trajeto ida e volta andando, assim economizaria o transporte já que o trajeto é curto e trabalho de apenas pela manhã.
Hoje, por volta das 14h30 enquanto eu voltava para casa ‘cortando’ caminho por uma favela que fica nos arredores da faculdade, quando estava quase no final do trajeto chegando no ‘asfalto’ fui incomodada por dois homens que começaram a mexer comigo, eis que os respondo e peço para que eles parem de fazer isso comigo e sugiro que eles façam isso com uma irmã para ver se alguma mulher gosta deste tipo de tratamento. Eles não gostaram de terem sido contrariados. Começaram a me ofender, me chamando de ‘puta’, ‘quenga’ e outros sinônimos durante todo o restante do caminho até que eu chegasse em casa. Eu NUNCA havia sido tão agredida e humilhada em minha vida.
Não sei o que mais me magoou: se foram as palavras em si, se foi a impunidade (eles simplesmente estavam me agredindo verbalmente, as pessoas me olhavam enquanto eu chorava e não faziam nada!) ou se foi o medo de aquilo acontecer de novo sempre que eu passar por ali.
Quero deixar claro que não relaciono o tipo de atitude dos dois homens ao fato deles serem moradores da favela. Eu uso aquele espaço diariamente e jamais fui tratada diferente do que sou tratada em qualquer outra parte da cidade. Esse comportamento agressivo e violento é um problema masculino que é alimentado, justificado e incentivado pela nossa sociedade como um todo!
Claro que não foi a primeira vez que fui assediada na rua, isso acontece diariamente com todas nós, só pelo fato de sermos mulheres, mas dessa vez eu me senti muito mais violada. Eu estou tão magoada, assustada, quebrada por dentro. Cancelei todos os meus compromissos, pois estou com medo de sair na rua. O pior é que no fundo eu acho que a culpa é minha por ter respondido à eles mesmo sabendo que nós temos é que responder, porque se todas as mulheres fizessem isso essa violência contra nós já teria diminuído bastante.
Eu queria tanto que eles não saíssem impune disso, mas não há nenhuma lei ou sociedade que me proteja.
Obrigada pelo espaço.”