começou a falar barbaridades – 894

894 – “Mais uma situação complicada que me faz perceber como o feminismo é necessário e o medo, a vergonha são paralisantes. No feriado de 2 de novembro, fui com uma amiga em um shopping da cidade para almoçar. Estava deserto e somente a praça de alimentação aberta. Almoçamos e começamos a conversar sobre um antigo caso dela, conhecido em comum. E um machista nojento. Há aproximadamente dois anos tive um caso curto com ele. Duas noites somente. Que foram muito ruins. E ela me disse que ele havia contado para ela que: “Era só fazer um carinho na X. que ela abre as pernas” com estas palavras. Fiquei chocada e perguntei o que mais ele falava. Ela me disse que ele havia tido um caso com outra amiga em comum. E falava a mesma coisa desta pessoa. A amiga que estava comigo ainda me contou que ele a chamava de puta por ter ido para a cama com ele enquanto ele estava namorando. Conversei bastante com ela sobre o feminismo. No quanto este pensamento hipócrita e machista estava arraigado em nossa sociedade e no quanto ele era ridículo. Continuamos caminhando no shopping e resolvemos ir embora. Foi só sairmos na porta quando um morador de rua, que suponho que estivesse bêbado ou drogado, que estava sentado na entrada, nos olha com aquele olhar nojento que todas conhecemos e começou a falar barbaridades. Entramos depressa no shopping e saímos por outra porta. Não consegui responder nada. Fiquei envergonhada, com medo de o segurança ou outras pessoas julgarem uma atitude minha como drama.”