“Dá pra você tirar a mão da minha bunda?!” – 1788

1788 – Conheci essa pagina há pouco tempo, é uma ótima iniciativa, uma vez que dificilmente temos alguém próximo com quem podemos desabafar e que realmente nos entenda.
Todos os dias mulheres passam por situações degradantes, sejam elas fisicas ou verbais, e a população em sua maioria fecha os olhos pra isso, é triste essa realidade.  Eu tenho 18 anos e me lembro de começar a ser assediada ainda quando criança, sim porque pra mim, uma garota de 12 pra 13 anos, ainda é criança.
Posso afirmar que TODOS os dias sou OBRIGADA a aguentar homens imundos mexerem comigo e na maioria das vezes ter que ficar calada por medo da reação deles. Ja passei por muitos assédios, que vão de um homem parar o carro, abrir a janela e se masturbar me olhando e gritando barbaridades, até um simples (que não é tão simples assim), “bom dia princesa linda”, cheio de malicia, cheio de pose.
Hoje quero relatar o caso em que me senti mais acuada, inutil e desprezada.
Faço curso de manhã, e como é comum, preciso pregar trem lotado todos os dias. Logo na primeira semana de curso, quando eu ainda não estava acostumada com aquela multidão e chegava até a sentir medo de toda aquela gente aglomerada, fui abusada.
Como já disse, o trem estava muito cheio, então esperei alguns passarem para conseguir entrar, mesmo assim fiquei bem proxima da porta. Na estação seguinte entrou mais gente e um moço ficou atrás de mim. Tentei me afastar, mas não consegui. Esse homem até falou comigo, algo do tipo “hoje tá dificil”, fiz que sim com a cabeça. Não demorou muito para que ele colocasse a mão em minha cintura; no começo achei que estivesse procurando o ferro pra se segurar, mas passou um tempo e ele não tirou, pelo contrario, subiu a mão e apertou meu seio. Fiquei muito assustada, meus olhos encheram de lágrimas; ainda assim, tive coragem de pegar o braço dele e tirar de mim. Ele me olhou e sorriu, permaneci calada, acuada, achei que depois disso ele percebesse que não estava gostando e parasse, mas me enganei. Logo ele colocou a mão na minha bunda, apertava, apalpava, como se tivesse o direito de fazer aquilo. Chorei baixinho, esperei ele parar por si só, porém como era de se esperar, ele não parou. Foi quando tremendo, virei e disse em claro e bom tom, gritando mesmo, “Dá pra você tirar a mão da minha bunda?!“, e ele na maior calma respondeu, “Não estou com a mão na sua bunda, só to segurando minha bolsa” e claro, conseguiu outro lugar pra segurar sua bolsa, desceu na estação mais próxima.
Esperava alguma reação das pessoas ali presentes, mas não, não fizeram e não disseram nada. Foi como se tudo que eu estava sentindo, todo aquele medo, aquela agonia, como se minhas palavras tivessem sido anuladas, pelo simples fato dele ter negado o ato.
Eu sempre consegui segurar minha mochila sem abusar de ninguém, mas pelo jeito algumas pessoas não conseguem! Me senti tão oprimida, foram três estações de pânico, cheguei no curso ainda trêmula e com vontade de chorar. Me sentia suja, mas sei que a culpa não foi minha, que nunca foi minha, sei que nós mulheres somos vitimas de homens nojentos, somos vitimas do patriarcado, do machismo, do sexismo, e não é vitimismo, é realidade. E também sei que juntas somos luta, força e coragem! Agradeço por ter conhecido o feminismo.