de repente estende a mão e passa a mão no meu corpo – 1143

1143 -Acabei de passar por provavelmente um dos piores momentos da minha vida. Talvez não pelo o que aconteceu de fato, mas pelo sentimento de medo, raiva e impotência.

[sexta-feira, 21/02/14, São Paulo] -Vindo para casa às 2:30h, pois jantei na casa de uma amiga, que mora ao lado da minha Universidade, depois da aula (todas as noites faço esse caminho – às vezes mais tarde quando o pessoal anima um bar depois da aula – são 4 quarteirões e no caminho tem um posto policial) e me deparo com uma cena no mínimo bizarra na rua mais movimentada, com bares, da Universidade: duas meninas vestidas de social, provavelmente após o happy hour, sentadas no chão, bem bêbadas. Uma estava sentada normal mas a outra estava deitada, arreganhada com as pernas para cima com a calcinha para quem quisesse ver… Todos os homens paravam para ficar olhando. Na hora fiquei chocada, por alguns segundos achei até cômico mas aí pensei em dar meia volta e oferecer ajuda, mas nisso elas já haviam levantado. Continuei meu caminho pensando muito nisso, me perguntando se eu já havia visto algo mais bizarro que isso naquela rua.

As ruas que fui descendo estavam desertas, como sempre nesse horário por ali, só com moradores de rua dormindo. Um homem, jovem, veio vindo na minha direção. Não que ele vinha de propósito, mas estava vindo na direção contrária da rua. Era branquelo, gordinho e carregava uma mochila pela frente do corpo… Me desculpem o termo mas ele tinha maior cara de nerd. Continuei numa boa andando e ainda super distraída pensando na situação que havia visto.

Ele passa por mim, de repente estende a mão e passa a mão no meu corpo. Na hora fiquei totalmente sem reação e fiz uma cara de “que porra vc tá fazendo?” Mas ele já tinha passado. Isso foi bem em frente ao posto de polícia. Foi uma mistura de sentimentos: confusão, medo, raiva e impotência. Pensei em correr para o posto e falar o que tinha ocorrido mas e a insegurança de os policiais apenas rirem de mim? (Afinal o cara não fez “nada demais”, pensariam).

Então continuei, com muita raiva, explodindo. Cada passo a raiva aumentava. Quando cheguei na porta do prédio ainda vi um gordinho passando e bati a porta com medo de ser ele. Não acho que era, espero.

Só que agora, em segurança, o que mais tenho é raiva, de mim e dele! De mim por ter sido fraca, estúpida e lenta de não ter dado um berro e gritado: CE TA LOCO? QUEM VOCÊ PENSA QUEM É PRA PASSAR A MÃO EM MIM? SEU TARADO, NOJENTO, PORCO!

Assim ao menos os policiais teriam saído do posto e ele se borrado, corrido, ou sei lá o que. Mas pelo menos ia tomar um susto e aprender a não fazer isso com mais nenhuma mulher.

Enfim, desabafei. Que ódio que estou. Esse mundo está cheio de porcos.

Este é o meu grande VAI SE FODER para para caras que fazem o que ele fez, que comem com os olhos mulheres na rua, que gritam “que bucetinha gostosa” e afins, aos que se esfregam propositalmente em mulheres no metrô/ônibus, aos que estupram… A todos os assediadores que fazem mulheres sentirem medo e/ou impotência e/ou raiva.

Espero que cortem seus pintos e os enfiem nos seus cus.