“Delícia, hein. Eu tenho um caralhinho aqui pronto pra te comer” – 1008

1008 – Num domingo à tarde, rolava um festival de cinema alternativo no centro da minha cidade, num local que fica perto da minha casa. Como a distância é de umas 3 ou 4 quadras, decidi ir a pé. Quando descia uma das avenidas mais movimentadas do centro (durante a semana; como era um domingo, havia poucas pessoas ali) um homem subia, na direção contrária à minha. Logo depois de nos cruzarmos, ele parou.

Eu estava usando fones de ouvido, mas consegui ouvir parte do que ele disse: “Delícia, hein. Eu tenho um caralhinho aqui pronto pra te comer”. Ele falou mais coisas, das quais eu só ouvi “buceta”. Desci correndo a avenida, desesperada. Nunca senti tanto medo na minha vida; achei que o cara fosse me estuprar ali mesmo, na rua. Eu moro sozinha em uma cidade grande, já fui assaltada à mão armada e consegui me manter calma. Dificilmente sinto medo, mas aquilo foi mais do que eu conseguia suportar… mexeu comigo de um jeito muito íntimo, fez com que eu me sentisse absurdamente vulnerável. Fiquei mais de uma semana sem conseguir tirar isso da cabeça em nenhum momento. Foi horrível.