“Depois disso mantive o quanto eu pude de distancia dele” – 2013

2013 – Olá. hoje eu estava conversando com um amigo sobre nossos professores antigos, até que começamos a lembrar e falar sobre nossos professores de educação física, e de repente lembrei de uma “pergunta” que me foi feita pelo professor que me deu aula no 1º e 2º colegial, quando isso aconteceu eu tinha 15 anos (hoje tenho 20).

Eu tinha me mudado de escola, ainda não conhecia ninguém daquele lugar, sempre fui de ficar quieta no meu canto, esse professor era brincalhão e tal, a gente ficava livre pra fazer o que quisesse na aula, normalmente ele ficava conversando com os meninos, as vezes eu via ele abraçando as meninas, mas eu sempre ficava sentada longe ouvindo musica, até que um dia saindo da sala pra ir pra quadra, ele falou algo sobre eu “não me enturmar e ficar triste no meu canto”, e falou pra eu dar um abraço nele, acabei dando, ainda tinha gente dentro da sala e como ele brincava e abraçava todo mundo dei um abraço rapido e sai…

Depois de alguns meses teve um dia que tinha ido poucas pessoas, talvez por causa de algum feriado, não me lembro, mas não fomos pra quadra, ele me pediu pra apagar a lousa e enquanto eu apagava ele “perguntou” “Porque que você rebola enquanto apaga a lousa?” na hora fiquei com vergonha tinha mais meninos perto dele, minha unica reação foi falar “Eu não rebolo” da forma mais séria e brava possível e ele “rebola sim” só me lembro de ter terminado de apagar a lousa de qualquer jeito e ter ido sentar, depois disso mantive o quanto eu pude de distancia dele e conversava só o necessário, mas com o tempo acabei deixando de lado, e ele não me disse mais nada, nem me pediu mais abraços, deve ter percebido que eu não gostei do comentario.
São coisas que acontecem e a gente acaba ignorando ou esquecendo, por ser algo “comum” esses tipos de comentarios estupidos vindos de estranhos na rua no nosso dia-a-dia, mas que com o tempo a gente percebe como aquilo era errado, afinal um professor de cerca de 50 anos (não que a idade importe) fazer esse tipo de “pergunta” pra uma adolescente de 15 anos dentro da sala de aula não é algo “normal”…